15. Controle do eu

30/11/2010

Sabendo de sua vulnerabilidade e que o monstro, vendo-se inferior, escolheria atacá-lo, Tito aproveitou-se da distração do monstro para fugir e esconder-se. Isso não representava fraqueza. Apenas sabedoria. Não fazia sentido ele arriscar-se naquele momento. A luta já estaria ganha. Mas eu poderia arriscar a vida de Tito, nesse momento. Para que ficar tão maior do que o monstro. Estando grande, eu teria várias formas de derrotá-lo. Não precisaria assumir um tamanho tão maior como eu assumira. Foi aí que eu notei novamente aquela arrogância, que agora não era mais apenas um reforço em seu ataque, mas um chamado para as trevas.

Seres foram surgindo da região preta a partir de um grito amedrontador do monstro. Seres muito fortes, de estatura normal, não como aquele gigante fora do comum. Eles não formavam um exército, mas eram cerca de doze a quinze seres. Eles tinham alto potencial de destruição. Então, eu deveria cuidar rápido de tudo, meu mal vinha causando aquilo. Em uma explosão de realidade fixa em meu olhar, rapidamente envolvi aquele enorme monstro, que agora se fazia pequeno diante de mim, em um ciclo fechado, onde focalizei minha energia momentaneamente e ele não teve condições de suportar tal ataque. Mas isso poderia ser feito comigo estando ainda menor. Rapidamente, voltei ao meu tamanho normal, para deixar aquele orgulho de lado. Eu não precisaria e nem deveria mais tocar nele. Por mais que ele vez em quando ainda apareça.

Estávamos à imensa altura, muito distantes do chão onde estavam os monstros que tentavam causar a destruição. Nunca havia descido aquilo tão rapidamente, mas não me sentia feliz por isso. Eram as minhas fraquezas que ainda causavam a destruição daquele mundo que eu tanto amo. Foi quando, em um momento de fúria comigo mesmo, eu ia voando, e lágrimas iam correndo pelo meu rosto, e eu encontrava aqueles seres. Não havia tempo de nada, eu apenas os destruía rapidamente sem grandes esforços. Meu único esforço era encontrá-los. Eles pareceram se amedrontar diante de minha rápida vitória sobre aquele monstro enorme. Rápida porque eles só haviam visto a parte rápida da luta. Mas brevemente consegui destruir a todos.

Mais uma vez, após a batalha, deparei-me com um olhar enfurecido de Tito. Um olhar de desprezo, desaprovação e desapontamento. Ele passou, caminhando pela floresta de transição, e entre as árvores ele me batia com aquele olhar. Fomos andando em direções contrárias, eu ia ao branco, e ele ia buscar consolo na floresta. Por que ele, se era eu que me sentia triste por tais feitos? Fui correndo para a ilhota que me traria descanso e paz para refletir. A ilha amarela era onde havia vários locais de repouso, à brisa, à sombra, em quartos, salas, onde fosse. Realmente eu sempre gostei muito de descansar, fazia todo o sentido haver lá um local onde eu pudesse repousar. Escolhi um lugar bastante fresco, à sombra de uma belíssima árvore. Lá parecia haver uma música que tocava, e me fazia pensar e lembrar-me daquele momento de arrogância e ódio, que me levou a uma ira tamanha que e fez lutar de forma excessivamente violenta contra todos aqueles seres lá. Talvez não houvesse razão para ser tão violento daquela forma.

Foi quando notei o rumo que minha vida estava tomando. Eu conhecera um novo amigo na Fabilândia, mas ainda faltava alguma coisa fora de lá. Eu mal me relacionava com as pessoas fora dali, e na minha escola, tentava fazer amigos, mas minha mentalidade estava muito ligada ao meu mundo paralelo. Meus amigos me viam como sempre fui, mas de forma preconceituosa, levando em consideração minha falta de maturidade. Não que hoje ela tenha chegado. Mas naquele tempo, eu tinha ao meu redor ainda pessoas que se preocupavam comigo, e queriam me incluir. Mas eu ainda agia como alguém distante. Parecia que eu não me interessava em envolver-me, em certos momentos. E, nos outros em que eu tentava, eu agia de forma infantil, sem razão. Só mais tarde eu teria fortes amizades que não seriam superficiais. E ainda não seriam superficiais, de certa forma, mas ocorre que as pessoas apenas me aceitavam próximo a eles, não que se interessassem por minha presença ou algo assim.

Sim, estava em uma triste reflexão sobre o porquê de eu não ter amigos. Apenas atualmente me sinto rodeado por pessoas que me amam. Mas aquela situação tamanha no mundo real foi fazendo com que eu cada vez mais buscasse consolo na Fabilândia. Eu acabava me isolando cada vez mais. Eu gostava das pessoas, mas não era correspondido. Importava-me com elas. Aliás, sempre me importei com as pessoas, minha vida é me importar com as pessoas, fazer com que elas sintam-se seguras e felizes. Confortáveis, acima de tudo. Mas isso não vinha proporcionando-me nada. Foi quando deixei de acreditar nas pessoas. Deixei: elas não se importavam comigo. Não deixei de acreditar no que elas diziam ou sentiam. Deixei de acreditar que elas poderiam se aproximar de mim. Não havia alguém como  Tito, que se preocupava comigo o tempo todo.

Foi quando a grande reflexão veio à minha mente: deveria eu, pois, evitar refugiar-me tanto assim no meu mundo? Será que era aquele mundo que vinha tirando o meu relacionamento com as pessoas? Ou não. Será que seria o contrário? Será que eu deveria entregar minha vida para viver apenas no meu mundo? Lá eu estaria do jeito que eu realmente queria. Nada poderia me entristecer tanto como no meu mundo. Aliás, foi a própria tristeza quem me fez ingressar nesse meu mundo. Talvez então eu voltasse para alimentar-me, ou coisa do tipo. Na verdade, eu sempre fui um tanto extremista: ou tudo ou nada. Achei que talvez não fosse a melhor opção permanecer apenas no meu mundo, meus pais não se alegrariam muito com a idéia. Então resolvi deixar meu mundo por um tempo. Viveria então focado em manter a minha vida no mundo real em ordem. Meu amigo poderia manter o contato comigo daquele mundo, assim como eu fazia através daquele pequeno sistema, onde apenas via o que se passava lá. Aliás, visualizava a ilhota sem cor, também, quando desejado. Lá transportava as cenas que via no mundo real para imaginar desfechos que me eram engraçados. Até por isso nunca se entendia a graça nas coisas eu contava. Mas assim, recebia um sinal de Tito caso fosse interessante que eu visse alguma coisa na Fabilândia. Assim, resolvi abandonar o meu mundo.


14. Indestrutível

26/11/2010

Agora estou pronto para lhes falar sobre aquela incrível luta que foi feita contra aquele enorme monstro de mentira. Não que ele fosse falso ou coisa assim. Ele foi formado pela minha mentira. Ou minhas, ele era enorme. Nunca vira algo tão imenso com vida como aquele ser. Realmente aquela montanha era gigante, mas ele chegava a ser até bem maior do que a montanha. Bem maior do que tudo, a simples presença dele naquela ilha já era suficiente para que grande destruição fosse causada. Primeiramente, eu tive medo de que a luta persistisse por tanto tempo. Então, sem hesitar, utilizei-me do máximo de meu poder para lançar-lhe um raio que estivesse à sua altura. Mas me pareceu não ter serventia alguma. Ele permanecia lá, com toda sua imponência e imensidão. Nesse momento instalou-se profundo terror dentro de mim, uma vez que nunca havia enfrentado um ser que poderia de alguma forma resistir a algum ataque tão forte como esse. O que mais aquele monstro poderia fazer? O que mais estava ao alcance dele?

Neste momento, Tito foi com muita velocidade atacá-lo. Com um poder incrível, em sua mão se formou grande espada brilhante. Mas uma espada realmente grande, que surgiu do nada, e possuía quase o seu próprio tamanho. Chegando próximo ao monstro, que nem sequer falava, apenas esboçava alguns gritos e grunhidos, apenas manteve-se inerte aos ataques de Tito, não tentando nem sequer alguma defesa. Não que esses ataques fossem totalmente inúteis, Tito realmente conseguia acertá-lo com a espada fazendo com que ele sentisse o impacto. Fui juntando energia, enquanto isso. Acompanhei Tito afastando-se e atingindo o rosto daquela fera com poderoso amontoado de energia, de coloração próxima ao vermelho, mais escurecida. Com seus braços ele fazia movimentos circulares, quando orientou a direção daquele raio. Aquela simples visão já era emocionante. Mas só de ver aquele poder tão imenso que possuía Tito, eu já me sentia mais seguro. Foi quando Tito olhou para trás e demonstrou-se perplexo e, de certa forma, assustado. Foi quando mirei meus braços e me vi tão brilhante como a espada de Tito. Chamei-lhe para que me atacasse, com aquele mesmo ataque. Posicionei minha mão como numa grande concha à minha frente. Já não seria mais como aquele que se deixava atingir por todo um poder, pois já conhecia os danos que isso poderia me trazer, após toda aquela concentração e espera. Eu poderia perder tudo aquilo se não controlasse aquilo com muita precisão.

Recebi tal ataque, acumulei aquela imensa energia. Apontei na direção do monstro, e consegui atingi-lo. Ele foi lançado para trás, mas não muito. Permanecia forte. Minha arrogância passava a se formar novamente. Em minha mente, eu finalmente encontrara um oponente próximo do que eu era. Houve certa alteração em meu olhar. Aquela arrogância misturou-se com certo ódio. Foi quando eu recebi um fortíssimo soco, vindo diretamente frente a meus olhos sem que eu notasse. Era Tito, que deve ter notado a mudança em meu olhar. Eu quis carregar tamanho ódio que nem o notei chegando. Ele, enfurecido, perguntou-me se era isso que eu queria. Sem jeito, disse que não. Aquele monstro enorme, que nos parecia inerte, começou a se mover para iniciar uma investida. Normalmente, costumava-se lutar no deserto, local onde pouca coisa poderia ser destruída. Era apenas areia. Mas aquele monstro era grande demais. Para nossa sorte, ele começava a se mover para fora do chão. Sim, ele poderia voar. Isso era um certo alívio, uma vez que o céu de lá é ilimitado. Já tentamos voar o mais alto, por mais tempo, muito tempo mesmo, mas aquele céu nunca acaba.

O nosso maior problema fora achar que só precisaríamos achar uma forma de penetrar aquele corpo, de forma a destruí-lo. Mas não. Aquele monstro inerte não era inerte por falta de condições, mas por ocasional opção. Num voo, ele se levantou com muita velocidade, e nós tentamos fazer com que ele nos seguisse até alto ponto do céu. Lá lutaríamos. E foi feito. Mas ele não era veloz só no deslocamento, mas possuía a velocidade de um grande lutador de tamanho comum. De seus olhos e boca saía tremendo poder. Atingiu-me, mas eu logicamente era imune a isso, apenas fui afastado um pouco para trás. Foi quando refleti brevemente e lembrei-me de que quando eu dominei totalmente a dominação do inconsciente, aprendi a controlar melhor a dimensão do deslocamento, que me fazia voar, posicionar meu corpo aonde eu desejasse. E nada poderia me tirar dali enquanto eu me concentrasse. Teria eu perdido a concentração ou aquele ataque era mais forte? Não tive muito que pensar. Quando vi Tito sendo atingido por um pequeno ataque lançado com os dedos, percebi que ele não tinha a mesma vantagem que eu teria. Sua vulnerabilidade não era nula. Já havia me esquecido de como era viver sem isso. Eu então, de jovem inconseqüente, deveria agora proteger meu sábio tutor que eu acabara de ganhar.

Novamente, o monstro preparava-se para atacar daquela forma, mirando Tito. Foi quando me atirei em sua frente, expandindo minhas costas, de forma a livrá-lo do ataque. Desta vez, eu não fora levado pelo ataque. Foi quando direcionei-me a traçar uma luta com ele, de forma mais agressiva. E fomos tentando bater um no outro, e acertando, e nada ocorrendo. E lançávamos poder, e nada ocorrendo ainda. Foi quando ele me afastou e foi tentar atacar Tito de novo, e novamente o protegi. Ele então, naquele momento, comigo olhando fixamente em seus olhos, vi nele grande ira, mas direcionada a mim. Ele gritou comigo, furioso, perguntando o porquê de eu não crescer e ficar do tamanho daquele monstro terrível. Foi quando me lembrei de que eu não preciso me esticar isoladamente, isto é, uma parte do corpo de cada vez. Eu já fizera isso antes, alarguei a extensão do meu corpo de forma uniforme. Não em tamanhas proporções, mas eu poderia fazer isso. Foi quando então, em um rápido movimento, igualei meu tamanho ao do monstro. Mas para que me contentar com isso? Atingi, então, tamanho superior ao dele, chegando a ter quase três vezes o seu tamanho. Agora eu gostaria de ver qual seria sua reação.


13. Fonte de poder

25/11/2010

Eis que meu poder seria imenso, e eu seria agora invencível com ele. Minha única necessidade de controle era para que as coisas não fossem totalmente destruídas, uma vez que eu mesmo acabava por não sofrer danos. Até então eu não tinha ninguém que pudesse ver isso, pois tudo isso surgira depois da perda de Jumi e Silu. Minha preocupação agora seria ver se aquele poder poderia, de alguma forma, ser maléfico também para meus amigos. Aquele poderoso raio de energia continuava por ser um ataque fortíssimo, e ainda meu principal ataque. Mas com essa nova característica eu poderia controlar esse poder de uma forma mais abrangente, segura e eficaz.

Pois bem, creio que os relatos de minhas lutas serão bem melhores para o entendimento de meu poder. É então cabível a mim agora descrever o poder em si. Meu domínio sobre a parte inconsciente de meu cérebro me fez ter controle sobre as dimensões às quais meu corpo poderia pertencer, e onde permaneceria. Esse controle, na verdade, permanece inativo no cérebro das pessoas, não há algum distúrbio que possa alcançá-lo. Quando finalmente compreendi o que era possuir esse domínio, muito mais do que saber que eu poderia distorcer minha forma, foi então que esse poder se tornou realidade em mim naquele mundo. Na verdade, não é o mundo que te dá o poder, nem você que possui o poder que sempre sonhou. Você simplesmente sabe o poder que se tem. Quando se necessita, ele aparece. Já é sabido qual é, só há a necessidade de concentração para atingi-lo.

Devo então dizer o que realmente é todo esse poder. No momento em que ele surgiu, eu pude visualizar diversas dimensões em minha mente. Uma ampla visão, muito confusa, exatamente na hora em que eu havia acabado de afastar meu oponente com um ataque rápido. Estava eu, de certa forma, em apuros, ele era um oponente muito forte e rápido, me atacava sucessivamente, eu não tinha tantas reações. Na hora, foi como se o tempo parasse. Novamente, em meus maiores medos, durante a luta, é como se o tempo parasse para que eu pensasse no que fazer. De imediato, meus braços começaram a esticar de forma descoordenada. Apenas olhei isso, concentrei-me e vi que não era algo tão complexo assim de se trabalhar. Rapidamente, enquanto ele vinha com grande velocidade em minha direção, estiquei a palma de minha mão, podendo, em um breve movimento de esquiva, segurá-lo e arremessá-lo para cima. Em sua fúria, realizou mais uma investida, quando, agora com a mão menos distorcida, mas ainda bem maior do que o natural, concentrei ali uma grande bola de energia bruta. Com a outra mão, estiquei meu braço até a sua face, fazendo com que ele perdesse o controle. Assim, o segurei pelo corpo e, em um violento movimento, envolvi aquela energia em sua cabeça, destruindo-o.

Enorme espanto se passou em minha cabeça, conhecendo tão grandioso poder. Com o tempo, descobri que tudo isso já estaria em mim, mas meu acesso até aquele mundo ainda era restrito a pequenas partes, que me permitiam voar e converter aquela energia em ataque. Não porque eu não tinha permissão para utilizar, eu apenas não teria descoberto o funcionamento disso, ainda não tinha encontrado aquela parte de meu poder. Existem várias dimensões. Dimensões nas quais eu poderia, em cada uma, realizar algo diferente. Todas elas com o mesmo cenário, em todas eu estaria da mesma forma no meu mundo. Só muda o fato de que, estando nelas, eu tinha acesso a movimentos impossíveis nas dimensões normais onde permanecemos. Algumas até se poderia notar que algo era diferente, visualmente falando, mas o mundo continuava da mesma forma, e ainda perceptíveis os movimentos dos demais. Em algumas eu poderia apenas me esconder, retirar o visual de meu corpo daquele mundo. Ou ainda retirar também, junto com isso, meu físico, podendo atravessar as fronteiras físicas daquele mundo. Eram inúmeras possibilidades, só dentro desse tipo de dimensão. Havia também a tão comentada dimensão de distorção física, onde eu poderia me distorcer da forma que quisesse, aumentando minha forma, diminuindo, alguma coisa semelhante a um elástico, mas de forma mais abrangente.

Mas o que mais fez diferença dentre todas as dimensões seria a dimensão da vulnerabilidade, onde eu poderia chegar ao nível zero de vulnerabilidade. Assim também existiriam vários níveis de vulnerabilidade, onde eu poderia sofrer danos e não senti-los, ou sentir danos mas não sofrê-los, ou até sentir ou sofrer mais ou menos. Isso foi o que fez de mim invencível naquele mundo. Nada poderia me causar algum dano, se eu quisesse.  Foi então que passaram a aparecer monstros mais fortes. Monstros de orgulho que nunca acabavam sendo difíceis de derrotar, mas apareciam agora também alguns monstros de arrogância. Isso era algo muito novo para mim, pois os monstros que me apareciam eram resultado de minhas fraquezas no mundo real, mas a arrogância era uma fraqueza que eu tinha apenas dentro daquele mundo (não querendo me orgulhar). Até por isso, talvez, eles fossem mais fortes. Mas essa força deles não representava nada diante de mim, eu realmente não sofria danos, obtendo o domínio sobre essa dimensão. Assim, a ira deles era transmitida ao mundo, e assim tivemos que reconstruir a cidade e a região azul diversas vezes, fora os desastres causados na floresta. Mas aqueles monstros serviam para que eu realmente enfrentasse cada uma de minhas fraquezas. É a Fabilândia me fazendo crescer enquanto ser humano.

Mas meu crescimento sempre fora muito metódico. Sim, meus métodos são obsessões extremas que, se não respeitados, me causam intensa agonia. Logo depois da batalha e de um pequeno momento em que fui conhecendo as dimensões, percebi que aquilo tudo estava um pouco desorganizado. Foi quando juntei as dimensões de forma bastante funcional e criei uma tela em minha mente, como um catálogo dimensional, onde eu teria todas as dimensões expostas nominalmente a mim. Separadas por categorias e funcionalidades. Nunca tive destreza para programação de computador, mas aquele era o meu mundo e, ainda mais, meu inconsciente. Consegui reunir tudo de forma prática e simples, para que eu não me perdesse. Não preciso parar e acessar essa tela para usufruir de meu domínio sobre essas dimensões, mas às vezes me vem a ser útil.


12. Relatos de alegria

24/11/2010

Corremos em direção à vermelha. Aquela sabedoria que poderia vir a me guiar era mesclada de uma alegria de viver a vida, sem se preocupar com a maturidade de todos os atos. Realmente, com ele fui aprendendo que não há a necessidade de se viver sempre negando qualquer tipo de prazer bobo que se possa ter. Certo que, durante muito tempo, acabei me negando a vida sem essas bobagens, mas isso não importa. E fomos nós, pulando na água, pra que ela levantasse bem alto. As águas iam ficando um pouco mais profundas, nada que fosse tão amedrontador. Aliás, aquelas águas não poderiam amedrontar ninguém. Eram tão cristalinas, tão lindas, e eram suficientemente rasas para se ter segurança sempre. Eu, como eterno herdeiro da baixa estatura, até naquele meu mundo, fui utilizando-me de meu voo para permanecer naquelas águas. Já Tito, aquele meu amigo gigante, ele sim atravessava aquelas águas tranquilamente, aos passos e pulos. Mas nossa alegria em permanecer nas águas se fez quase nula diante da vontade de correr para a ilhota vermelha. Lá sim a alegria era muito mais do que abundante. Toda aquela diversão, novamente eu tinha um amigo para desfrutar aquilo comigo.

Chegando lá, mal pisamos naquela ilha, o que já era uma sensação mágica, mas nos direcionamos rapidamente até o céu, para nos arremessarmos abaixo, nossa grande diversão. Todos sabiam disso. O céu, também era algo mágico. Além de não haver astros na Fabilândia, o céu era infinito da mesma forma. Era sempre aquele azul do dia. Não havia radiações do Sol, a temperatura era sempre agradável e sugestiva para que fôssemos em direção ao mar, nos refrescarmos um pouco. Não havia nuvens, nem nada. Uma imensidão azul. Com o tempo, aquele mundo foi se tornando um apanhado de coisas boas, apenas. Minhas lutas já não eram mais dificultosas, agora eu possuía um poder muito maior. E ainda agora, naquele instante, eu tinha Tito, que me parecia também um fortíssimo guerreiro, que poderia até conservar as coisas lá por um tempo sem mim. Não que eu fosse me afastar, mas eu era constantemente chamado por Jumi e Silu para ajudá-los em algumas batalhas. Era dia o tempo todo, eu sempre poderia converter aquela energia luminosa em poder. Aquele raio laser, que na verdade é apenas um apanhado de energia em estado bruto. Ele não tinha cor, apenas distorcia o caminho por onde passava, tornando-se assim visto. E você aí achando que era como naqueles desenhos que se acostumara a assistir.

Caíamos em tremenda diversão. Talvez eu consiga agora me conter em contar aquilo ao qual me propus, sem me desviar tanto movido pelas maravilhas desse mundo. Naquele dia aquela ilhota nos levou até algo que nos parecia ser um jogo, onde guiávamos bolas coloridas, que começavam sendo poucas, mas vinham aumentando mais e mais seu número. Não entendíamos o que deveríamos fazer, mas nos divertíamos de forma imensurável. Se perdíamos, não sei o porquê de nossa vitória ou derrota, recebíamos a punição do equipamento que proporcionava o jogo. E mais uma vez nos molhávamos, e assim ríamos muito juntos.

Perguntei-lhe se gostava de rock. Sua postura se fez automaticamente atemorizante e ao mesmo tempo incentivadora. Não nos preocupamos com a água novamente. Não era mais ela que queríamos. Fomos direto à região azul para apreciarmos um belíssimo show de rock, que se iniciava quando eu tinha vontade. Aliás, o rock não se aprecia, apenas se vive. É quase como assistir um jogo de futebol em um estádio. Não vou para assistir, vou para torcer e vibrar. Assim também é o rock. Lá naquela região, havia centenas de pessoas, que não permaneceriam ali por muito tempo, mas sempre havia alguém ali para pular junto conosco no show, além de ótimos músicos para tocar. Isso quando não era eu quem estava lá tocando. Lá era diferente de tudo. O ambiente lá era levemente mais escurecido. Na verdade, é como se lá fosse de noite, mesmo sem estar de noite. Mas aquele local nos dava a sensação de lá estar de noite. Era mais do que mágico. Aquilo era música da melhor qualidade. Pulava eu, próximo ao palco, na companhia de Tito, de forma monstruosa, na energia de um rock muito pesado, genuíno, muito bem executado. Adoro ir para lá. Não só de rock vive o homem, sempre fui admirador da boa música. Mas rock era o que predominava. Era quando eu subia aos ombros de Tito e pulávamos intensamente. A alegria estava perfeitamente estampada em nosso olhar. Ao término do show, saíamos dali sorrindo, gargalhando, pensando em cada momento ali. Todos os shows eram memoráveis e frequentes. Sempre haveria um próximo show quando eu quisesse.

Foi quando nos apareceu imenso monstro, proveniente da mentira, ao que me parecia. Esse era imenso, mas agora eu tinha Tito para me ajudar. Antes que eu venha a falar da luta e de toda a história que se passou com ela, devo revelar meus novos poderes. Eis aqui algo que adoro descrever. Algum tempo depois da ida de Jumi, não tinha mais tantas motivações para ficar indo à Fabilândia. Pois estava eu, tendo tomado um ônibus, sempre fui muito adepto à arte de se dormir nos ônibus. Até porque realizara grandes percursos, constantemente. Foi quando, numa tarde comum, sem estar exercendo meu acesso parcial ao meu mundo, veio uma visão em minha mente, enquanto eu tentava dormir. Mas ela me foi muito clara, muito bem exposta a minha pessoa. Nela eu entendera alguns aspectos sobre o domínio da parte inconsciente do cérebro. Recentemente meu amigo havia me dito sobre as divisões do cérebro, e falou de gente que dominava tanto o consciente como gente que também possuía controle sobre o subconsciente. Mas ninguém poderia controlar o inconsciente. Foi aí que se iniciou minha obsessão. Mesmo eu não sabendo o que era, mas eu bem imaginava que poderia ser algo muito interessante. Estando eu no ônibus, me vi realizando movimentos estranhos, onde eu poderia me distorcer elasticamente e me movimentar com a velocidade que eu bem entendesse. Enfim, controle absoluto sobre meu corpo. Após algum tempo, pudera eu entender perfeitamente o funcionamento de tal espécie. Eu domino as dimensões.


11. Muito que falar

23/11/2010

As ilhotas estavam lá há muito tempo, mas havia algumas que eu não conhecia. Quando mais novo, experimentara ir além das ilhotas para saber o que tinha, e descobri que aquele mundo era formado apenas pela imensidão da ilha e suas ilhotas, com um espaço de mar, formando aquele globo. Seu tamanho era bem inferior ao que eu achara que fosse a lua, mas sua extensão sempre me foi suficientemente grande para que eu pudesse compreender a complexidade de minhas ideias. Era lá que eu enfrentava minhas fraquezas. Fraquezas, que por sinal, se faziam presentes naquele mundo através daquela região preta. Era de lá que surgiam aqueles seres, muitas vezes monstros, que me surgiam e buscavam o domínio desse mundo. E eu, junto com meus amigos, sempre ficava incumbido de impedi-los. A maioria deles se formava como resultado de meus momentos de orgulho, mentira e egoísmo. Os provenientes de egoísmo costumavam ser fortes, os dos orgulhos acabavam sendo pegos pelo seu próprio convencimento, mas os que se manifestavam pela mentira sempre eram muito fortes. Mais fortes do que qualquer outra coisa, por ser uma mentira que conto, que muitas vezes eu chegava até a tentar me convencer de que seria verdade.

Tento me fazer falar das ilhotas, mas é difícil, tendo tanta coisa para contar. Pulei até essa parte onde eu já conhecia tudo, o que facilitaria a explicação sobre a Fabilândia. Mas nisso deixo muitas histórias para trás, e devo ficar recapitulando tudo isso. Aprendi a fazer capítulos. Ou pelo menos me forço a isso. Deve haver reflexões mais úteis do que essa. Não sei, minha mente se faz embaralhada agora. As coisas boas estão acontecendo de uma forma progressiva, e vão ficando melhores, sem uma explicação. Nunca me ocorreu algo tão grandioso assim antes.

Pois bem, voltemos a falar da ilha. Ou das ilhotas. Já queria falar sobre elas há muito tempo. Elas me parecem funcionais. Elas são de várias cores, ainda às vezes de mais de uma ao mesmo tempo. Sim, algumas eu não posso definir por cor. O que eu venho achando estranho é ficar definindo os lugares por cores frente aos demais. Imagino formando-se neles a idéia de que aqueles lugares possuem o chão todo pintado por essas cores, ou coisa assim. Quando na verdade, são só cores que permanecem em nossas cabeças quando lembramo-nos daqueles lugares. Agora fiz vocês pensarem que ao lembrarmo-nos daqueles lugares nossas cabeças ficam daquela cor. Minhas palavras não estão fazendo sentido. Acho bom atentar-me à uma simples descrição, onde eu não fique tomando parte de minhas reflexões.

A ilhota que conheci primeiro foi a vermelha. Foi a melhor coisa que poderia ter me acontecido. Não deve haver idade isenta de alguma diversão naquele lugar. Cercada de plantas com folhas levemente avermelhadas em suas extremidades, formando caminhos com pequenos arbustos também com aquelas folhas vermelhas. Seu formato permanece em constante mudança, não para atingir algum nível mais elevado, mas para que cada experiência lá seja nova e diferente. Não importa o que quisermos lá, facilmente aquela ilhota nos conduz para onde ela sabe que nos divertiremos mais. Não que haja algum tipo de inteligência naquela ilha. Ela só cumpre o que foi idealizado para ela. Não há outra função para esta ilhota. Lá é o local onde nos divertimos. E não existe diversão tão agradável como a que lá temos. Não basta saber o que lá ocorreu ou poderá ocorrer. É uma experiência para ser sentida. Seus brinquedos que são formados, ora recordando a infância, ora trazendo grandes emoções, ora formando um belíssimo parque de diversões. Tudo lá é perfeito. E é mais do que mágico. A emoção que se sente em seus brinquedos é muito maior do que a que sentiríamos em qualquer outro lugar.

Aquela ilhota contraria as leis da física. A alegria lá proporcionada é maior, não por estar lá, não pelo que se vê, mas por realmente se formar lá uma força maior sobre nossos corpos enquanto descemos em uma montanha-russa, o frio que dá em nossa barriga é maior. As camas-elásticas nos fazem subir mais alto, não que altura me fosse diversão, mas lá as coisas eram mais divertidas. Como não precisávamos de pára-quedas lá, costumávamos subir bem alto e nos deixarmos cair, pela grandeza dessa sensação. Mas começamos com essa diversão fora da ilhota, pudemos notar que nela era tudo mais divertido. Parece que a gravidade é diferente, não quando estamos correndo ou andando, mas quando estamos caindo para nos divertir, as coisas lá se fazem sempre melhores. Aquele chão que vinha a ser macio, mas sem que isso tornasse difícil estar sobre ele. Era apenas agradável. Suas rachaduras faziam com que um perfume agradável se fizesse presente por toda ilhota, até assim tornando tudo lá mais divertido. Não adianta refletir sobre isso, é algo mágico que nunca antes foi visto no mundo real.

Fui pela primeira vez junto com Tito até a ilhota vermelha. Ele me parecia muito sério, desde que o conheci. Ele disse me disse que gostava daquela ilhota. Também não entendeu o porquê de eu chamar aquilo de ilhota. Realmente, a grande ilha, em um mundo que só há a grande ilha, bem que poderia ser tida como um continente. Era ilha apenas para mim, que conhecia um mundo de maior extensão. Não sei por que caminhávamos até a ilhota. Parecia ser um bom momento para que permanecêssemos juntos, de forma tranqüila. Realmente, não haveria motivos para que nos apressássemos ou nos mantivéssemos afoitos. Fomos nos conhecendo à medida que ele falava sobre si. Seu tempo de reflexão sob as águas lhe dera grande entendimento sobre sua função naquele lugar. Ele seria algo parecido com um irmão mais velho que eu nunca tive, que me alertava quando eu era inconveniente ou tomava decisões precipitadas. Realmente, ele era muito sábio. Comecei a olhar para ele e vi que aquele ser sério que eu imaginara não era verdade. Ele estava sorridente, transbordando de uma alegria contagiante. Começamos a alegremente atravessar o mar até a ilhota, que não guardava grande distância da ilha principal. Poderíamos tranquilamente sobrevoar tudo aquilo, mas aquelas águas, tão perfeitas, nos obrigavam a atravessar aquilo nos molhando, como duas tolas crianças. Foi como se tivesse encontrado Jumi novamente, que divertia-se comigo como criança, sendo eu ainda criança. Eu tinha um novo grande amigo. Tenho ainda muito que falar sobre ele.


10. Amigo?

22/11/2010

Há muitas coisas que podem ser ditas sobre este mundo. Coisas que são até muito importantes para a história. Mas, de momento, creio que seja mais interessante pular alguns anos. Contar histórias mais divertidas. Até porque vivo da mesma forma até meus quatorze anos. Foi quando entrei no segundo grau. Terminei meu estudo de criança, agora já sou mocinho. O mais bobo de todos eles. Mas tudo passa a ter mais sentido, passo até a compreender esse nosso mundo real um pouco mais, quem dirá o meu mundo. Meu, com toda certeza. Não sou só um iluminado, mas o idealizador daquele mundo, que promove alterações em sua natureza e amoldo tudo aquilo à minha realidade.

Minha percepção de realidade que foi se alterando. Aquela idéia de música em mim, que passou de maneira forte pelo Soul, acabou se estabilizando no Rock, e hoje aquela região que me alegrava e emanava música hoje é um eterno show de rock. Mesmo que não haja música, o ambiente é como um show gigantesco, onde há fumaça e refletores por tudo, fazendo predominar a cor azul. As cores, sim, elas passaram a identificar as regiões do meu mundo. Aquela é a área Azul, o deserto é Bege, a região sombria é a Preta, a floresta a Verde, a cidade a Laranja (sim, era essa a cor que lá predominava) e a região da origem era a Branca. Formavam uma espécie de hexágono inserido na ilha, exatamente nessa ordem. Deixados meus antigos amigos, após tristes cenas que devo contar depois, isso é outra história. Agora eu tinha mais dois amigos. Antes de falar sobre como conheci Tito, direi que, após certas reflexões um tanto quanto fantasiosas em minha escola, alguns chegaram a me dizer que tais coisas só seriam reais na Fabilândia. Foi quando encontrei um nome adequado para aquele mundo, após pouco mais de quatro anos estando eu naquele lugar. Nessas condições, já havia dominado uma espécie de acesso à Fabilândia que não era completa, podendo eu visualizar o que lá acontecia sem estar presente lá. Isso também pode vir a render outra história.

História triste se passava naquele dia. Meus amigos haviam partido, eu estava sozinho naquele mundo. Por mais que no azul eu pudesse me divertir com o rock, estando aquele local cheio de gente em todo tempo, aquelas pessoas partiam, não eram mais vistas, e eu não tinha alguém que se lembrasse de mim da última vez que teríamos nos encontrado, pois sempre era a primeira vez. Com todos. Fazia-me muita falta algum amigo permanente naquele mundo. Foi quando eu andava pelo deserto. Rapidamente desloquei-me para a floresta, e fiquei transitando de uma região à outra, como alguma busca por diversão, busca por alguém. Foi quando reduzi minha velocidade saindo da floresta. Isso não era nada divertido. Não poderia fazer como havia feito todo esse tempo, treinando minha luta. Nossa luta. Era um momento de muita tristeza. Fui saindo da floresta, que já não era mais habitada desde a ausência de Silu, o único que ficava lá e atraía-nos para lá. Mas, quando estava eu saindo da floresta, de cabeça baixa, às minhas costas ouço o som de alguém movimentando-se pela floresta. Perguntei quem estaria lá, não obtive resposta. Mencionei que quem não me devia nada não veria a necessidade de esconder-se de mim.

Comecei a estorvar aquele ser que se movimentava pelas árvores e plantas, de forma que ele saiu enfurecido de trás das árvores e começou a me atacar com uma espada brilhante que se formara de sua mão. Com sua ira, iria tentando me atingir enquanto eu apenas ia me esquivando para trás, amedrontado. Aquele ataque me parecia diferente. Mas não era essa a minha preocupação, ele parecia nervoso com meu hábito de ordenar as pessoas daquele lugar a me darem satisfação, péssimo hábito. Ele ia reclamando, perguntando por que ele não tinha direito próprio de ficar onde ele bem entendesse. Perguntei-lhe o porquê de ele estar tão enfurecido, até porque ele era um ser enorme, tal como Jumi, mas ele representava uma figura humana com muito mais exatidão. Suas feições eram ao mesmo tempo delicadas e imponentes, um ser realmente muito bonito, com porte atlético a belos e longos cabelos loiros. He-Man não seria comparável a tão grande formosura e poder.

Após nos entendermos, perguntei-lhe de onde ele viera. Ele me disse que havia surgido no branco, mas se mantivera por longo tempo perdido no oceano. Ele apenas queria ficar sozinho. Não gostava que se intrometessem no que ele queria ou poderia fazer. Mas, ao mesmo tempo em que ele pareceu um tanto rude, de início, sua oratória e gentileza era surpreendente, para alguém que possuía como vestimenta apenas um calção preto e uma mochila, que ele levava para todos os lugares. Não sei o porquê de ele ser assim, mas ele quis mostrar tamanho interesse em estabelecer um relacionamento comigo, alguma parceria. Falou-me que eu parecera forte diante dele, tendo ele visto alguma luta minha, anteriormente. Fui aos poucos notando que ele vinha a ser um pouco maior que Jumi. Fomos juntos ao branco, eu comecei a manifestar minha alegria por ter novamente algum amigo naquele lugar. Sim, ele mencionara estar ali por um bom tempo, me parecia ser alguém permanente naquele lugar.

No dia seguinte, ao entrar naquele mundo, o procurei por toda parte, em cada lado da ilha, em cada ilhota, não pude encontrá-lo. Resolvi que deveria aguardá-lo na região branca. Alguns instantes depois, o vejo trazendo em suas mãos uma mesa de tênis de mesa. Realmente, ele saberia me agradar. Sempre fui um fiel admirador do esporte e da prática. Divertimo-nos por alguns instantes. Eu tinha alguém novo naquele lugar para estar junto a mim. E para me proteger, uma vez que agora eu estaria só, não teria a proteção que havia me salvado anteriormente. Acho que está na hora de falar das ilhotas.


9. A energia da batalha

21/11/2010

Tudo o que eu poderia fazer vinha de minha concentração. Foi com ela que eu descobri que poderia voar. Eu precisava de um poder, um poder imenso que pudesse afastá-la de mim e talvez até derrotá-la. Será que eu possuía todo esse poder? Mais uma vez, quis encher minha cabeça de reflexões, mas não poderia. Olhava para os lados e via meus amigos, agonizando uma dor terrível. Isso servia-me de incentivo, para que eu pudesse vencer aquela batalha. Ela apertava com força meu pescoço, mas eu não podia pensar nisso. Eu tinha que pensar na vitória. E em meu poder, que viria para me ajudar.

Concentrei-me. Precisava pensar em alguma coisa. Energia. Ela, que emitia tanta energia mesmo à distância, possuía uma imensa energia com ela. Ela prosseguiu discursando, e eu de cabeça baixa, tentando concentrar alguma energia que eu pudesse lançar sobre ela. Pensei em algum tipo de laser. Toda criança pensa em laser. Eu gosto muito desse laser. Ela dizia que a escuridão só não fora completa ainda porque eu seria o iluminado, que mantinha ainda viva aquela pequena quantidade de brilho que, ainda na escuridão, fazia com que se tivesse uma mínima visão. Enquanto isso, eu não me deixei distrair por essa fala, mas me mantive concentrado naquilo. Por mais que pareça estranho esse tipo de cooperação para meu sucesso naquele mundo, poucos dias antes do incidente eu ouvira uma pequena explicação sobre energia vinda de alguém, não sei de onde. Mas entendi um pouco sobre a energia, e que ela seria conversível. Também fui explicado de que esse fato de ela ser conversível não se referia a um carro, mas que ela poderia ser transformada de um tipo de energia a outro. Foi quando senti que havia uma energia correndo das mãos daquela mulher para meu corpo. Eu poderia converter qualquer tipo de energia, esse poderia ser meu poder. Talvez por isso eu voasse.

Certo disso, interrompi o discurso de Dira, que eu não sabia em que ponto estava, sobre o que ela estava falando, mas fui convicto dizendo “ou não.”. Levantei minha cabeça com a mesma convicção e, num breve movimento com minha mão direita, fiz com que ela a segurasse. Com alguma concentração, levei aquela energia para a palma de minha mão esquerda e consegui emitir um breve raio laser em seu abdome, o que foi suficiente para que ela me largasse e se afastasse. Assim, com o impacto que recebi ao cair, ainda que de pé, percebi o efeito que ela havia causado em meu pescoço. Ainda com profunda dor, consegui emitir outro laser, agora um pouco maior, atingindo-a com mais intensidade. Mas daí, minha dor já era tamanha que não pude continuar erguido, e acabei por me lançar ao chão, pensando em alguma coisa que diminuiria tamanha dor em meu pescoço. Não pensei em algum tipo de energia que fosse benéfica para essa situação. Ainda tentei concentrar a minha energia no meu pescoço, para ver se isso poderia me fazer melhorar, mas não foi suficiente.

Percebi que, lançando minha energia como ataque, eu poderia ter um alto poder sobre meu adversário, mas assim, lançava fora minha própria energia. Não tinha mais condições de me manter em pé, isso era muito novo para mim. Eu precisava de algum tipo de energia. Ela então tentou me atacar, enquanto eu me mantinha fixo ao chão. Nesse momento, Silu teve forças para alcançá-la antes de seu ataque ser lançado, sendo este desviado, e não me atingindo. Assim, ela começou a esnobar certa forma de luta contra Silu, que já cansado, foi suportando aquilo por mim. De momento, pensei que eu não poderia suportar tamanho poder, tamanha energia. Foi quando notei que, sendo os ataques dela tanta energia mandada em minha direção, se eu pudesse converter aquele impacto que eu recebia em energia, de forma veloz e precisa, eu poderia usar o ataque dela contra mim. Logo, pedi para que Jumi viesse correndo em minha direção e começasse a me golpear, com socos. Pedi com tanta firmeza que ele nem vacilou, e começou a me bater, com muita dúvida e desconforto, mas isso se fez necessário. Com o passar dos golpes, fui me acostumando com o tempo e com a rápida absorção, e fui pedindo que ele fizesse isso com mais força e freqüência. Não me estava sendo dolorido, a energia transmitida pelos golpes dele, por algum motivo, eram convertidas antes que chegassem ao meu sistema nervoso, e assim eu fui acumulando energia.

Chegou o momento. Eu pude me levantar, e prossegui sendo golpeado. Ela, com olhar de desprezo, disse que eu não precisava disso para morrer, mas que ela poderia acabar comigo. Eu tive um leve receio de momento, mas a encarei com renovada determinação. Já possuía aquela energia acumulada dos socos de Jumi, o que ele acabara de parar de fazer. Assim ela me pareceu invocar energias para realizar aquele ataque devastador, enquanto eu a encarava, e pedia para que meus amigos se mantivessem fora disso. Ela rapidamente movimentou suas mãos em minha direção, lançando sobre mim o seu poder. Assustei-me de momento pelo fato daquele poder ser negro em um local bastante escuro. Mas isso foi em uma fração de segundo até o poder chegar a mim. Não havia tempo para se pensar. Consegui Juntar grande parte daquele poder, que era imenso. Tamanha energia era gigantesca em mim, cheguei até a aumentar um pouco meu tamanho. Senti um pouco de dor, uma vez que parte do ataque fora realmente efetivo. Mas eu consegui, rapidamente, converter aquilo na energia que havia formado anteriormente, e lancei sobre ela com todo vigor, de forma a ser veloz, para que ela não tivesse a chance de esquivar-se. Tive a graça de atingi-la por completo, assim a desfragmentando como da outra vez, com Gróizer.

Foi-me mágico conhecer tamanho poder que havia dentro de mim. Nesse momento, fui acometido de uma força, que me deixou um tanto curvado para trás e me fez flutuar alguns poucos metros, de forma involuntária. Comecei então a brilhar, com imensa intensidade. Foi então que aquela escuridão foi dando espaço novamente para aquele céu bonito que marcava o perpétuo dia daquela ilha. Daquele dia em diante, nunca mais anoiteceu naquele lugar. Agora eu conhecia meu poder. Mais coisas eu conheceria, mas aquilo já me era maravilhoso. Por mais que não fosse só o necessário para conter todo mal que viria a tentar instalar-se naquele mundo.