21. Deixando Silu na fila

30/12/2010

Eu já não era mais aquela doce e inocente criança que surgiu naquele mundo. Em poucos dias já havia descoberto e aprimorado meus poderes, e os vinha utilizando com intensa freqüência tal que pude dominar tudo aquilo com tremenda destreza. Eu realmente era um hábil lutador, não pela habilidade de lutar, mas pela eficiência nas lutas. Mas ainda não possuía um poder de defesa muito grande. Meu único poder seria a esquiva e a absorção da energia do ataque, caso estivesse me concentrando muito nisso. Na verdade, eu saberia me virar muito bem sozinho. O problema é que, por algumas vezes, eu era atingido, vez em quando de forma boba, por pequenas distrações que não seriam cabíveis à minha sobrevivência. Realmente seria um grande problema se aquela parte autista de mim permanecesse, tentando realizar profundas reflexões no decorrer dos combates. Na verdade, não sei o que pode ser mais autista do que viver nesse mundo paralelo onde as ideias são materializadas para mim. Materializar é também uma palavra útil na narração dessa história.

Todo esse fato teve o que considero seu início quando Silu descobriu seu novo poder. Nesse mundo, não se precisa preocupar-se em ter ou não tal poder. Na verdade, você sabe qual é o seu poder. Até o maior dos pessimistas acreditou que possuía os poderes que tenho. Eu não tive necessariamente os poderes que eu quis, mas os que eu sabia que teria. É certo que praticamente tudo aquilo seria o que eu queria ter, e me agrado muito daquele raio de energia em estado bruto. Pensar que existe um ataque do tipo pode ser algo cientificamente abominável, mas me é muito interessante tal ataque. Na verdade, eu gostaria que aqueles raios fossem muito mais bonitos, vistosos, avermelhados e atemorizantes, algo que fosse como aquilo que eu costumava ver na televisão. Ele apenas distorce a visão daquilo que está no caminho dele, como acontece com o calor, só que em intensidade bem maior. Na verdade, certamente que uma coisa estará relacionada à outra, o meu ataque é a concentração de energia, certamente que o calor seja o que distorce a imagem e torna meu ataque visível, pelo menos no ângulo em que me mantenho.

Não iniciei o parágrafo para falar de meu poder, mas sim do poder novo de Silu. As coisas na verdade nunca ocorrem do jeito que eu gostaria ou planejo. Minha vida atualmente prossegue entristecida por todos os fatos que vêm acontecendo: todas as coisas boas que me faziam, de repente, achar que eu finalmente encontrara a felicidade junto às pessoas, estão indo embora. Já não tenho mais visitado tanto o meu mundo, justo agora que preciso cuidar de uma ilha nova que surgiu por lá. As pessoas com quem eu estava, ainda que sem estar de verdade, me traziam alegria tão imensa que a estrutura do meu mundo, após quase dez anos, foi alterada, e por lá surgiu uma ilha, algo como uma praça, um parque, um lugar daqueles que se passam tardes felizes com as pessoas. Há um teatro lá também. A ilhota me surgiu em momentos de extrema alegria em minha vida, e creio eu que sua existência deve-se ao fato da presença de uma pessoa apenas, e agora que ela se foi, tenho muito medo de que essa ilha possa vir a tornar-se um problema. Sendo assim, eu deveria estar lá cuidando da ilha, mas não sinto forças para continuar lá. É muito estranho, eu a visito e, poucos minutos depois, acabo voltando. Aquele pensamento que me faz voltar era muito facilmente controlável, eu nunca tive problemas em permanecer lá enquanto acordado. Até porque quando se dorme se sai de lá. E chega a ser algo muito interessante, pois o tempo lá é igual ao tempo daqui, e o meu cansaço acumulado aqui se torna presente lá também. Mas minha tristeza aqui é tão grande que nem tal escapismo, que deveria estar presente em mim, uma vez ocasionado por essa tristeza toda, me ajuda a ficar lá por muito tempo. Tenho recebido constantes chamados de Tito, mas não consigo permanecer lá, estou quase desistindo de ir por algumas vezes. Isso pode vir a ser extremamente prejudicial ao meu mundo e à minha vida. Escrevendo assim percebo que estou com certo medo. Que triste, terei que me concentrar para conseguir ficar lá por um bom tempo. Justo agora que estou com preguiça de utilizar meu cérebro.

Pobre Silu, como haverá de ser tão interrompido por meus complexos e caprichos. Eu realmente quero relatar as coisas que ocorreram com ele, mas sinto-me necessitado de ficar falando das minhas tristezas para as pessoas. Por mais que eu não queira acreditar em tal afirmação, venho a achar que me interesso em despertar pena nos outros. Finalmente, me fizeram perceber que tento parecer coitado. Mas outra coisa que sou é uma pessoa determinada. Direi agora sobre o poder de Silu. Ele sempre foi um ser calmo e gentil, muito agradável e até, de certa forma, um ser doce. Sua paciência me lembra de certas pessoas que estão ao meu redor, o que de repente me é atemorizante. Até porque Silu partira muito antes de eu conhecer essa pessoa. Não, vocês não conhecem essa pessoa. Talvez você conheça. Certo, não devo colocar partes sem explicação em meu texto. Isso agora já foi posto, mas pretendo então deixar de fazer isso. Prometo. Nem eu mesmo devo saber de quem estou falando.

Silu. É sobre ele que devo falar. Pois bem, uma vez, em meio a uma luta, sua ira fora incitada de forma tão intensa, mas tão intensa, que ele acabou por imaginar coisas, segundo ele, coisas que ele queria ter em sua frente para poder utilizar como arma. Foi muito estranho vê-lo arremessando um piano no inimigo assim, do nada. Ele poderia então, a partir desse momento, materializar coisas que lhe fossem convenientes. Eu, seriamente, nunca pensaria que poderia existir algo de tal natureza, achei isso uma das coisas mais fantásticas nas quais se pode imaginar. Foi um poder muito útil não só em suas lutas, mas também em nossos afazeres ocasionais. E ele possuía uma imaginação bastante fértil quando incitado nas brigas, e era muito interessante ver as coisas que ele costumava imaginar. O piano, por incrível que pareça, foi uma arma muito bem escolhida, dentro daquele contexto. E não pense que fora a mais inimaginável. Mas esta seria uma arma que nem sempre daria certo.

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20. Um escudo de amigos

28/12/2010

O tempo é mais relativo do que ele normalmente nos demonstra ser. Tempo, no geral, que parece passar mais depressa ou devagar para cada um. Tempo, clima, não entendo como se utiliza o termo “previsão do tempo”, uma vez que ele passará na mesma intensidade de sempre. Cada segundo, com a mesma duração. Só o que muda é a nossa opinião sobre a grandeza de cada segundo, podendo ele parecer muito curto ou demorado. Tenho mais coisas para descrever, mas acho que posso descrevê-las sem problemas no meio de uma longa história, de forma a interromper a narrativa de forma triunfal e irritante.

Não sei o porquê, mas acho que pareço gostar de irritar os outros. Dependendo desses outros, chego até a demonstrar que é uma demonstração de carinho. Outros não, não há carinho que seja cabível para tais pessoas. Mas ainda tento irritar sem estressar, irritar para ser amável. Ou pelo menos é o que eu penso sobre isso. Acho que deva ser por isso que não tenho assim tantos amigos. Ou meus amigos teriam uma enorme falta de amor próprio ou apenas com eles eu consigo ser aquele irritante amável que planejo ser.

Eis aí dois assuntos que fundamentam minha nova história. Amigos e planejamentos. Meus amigos me apareceram do nada naquele mundo, e ainda poderia ser visto grande companheirismo entre eu e os demais viventes do mundo, mesmo que eles não permanecessem lá. Algo que me fazia encontrá-los como se já fôssemos amigos. Pena que não seria uma amizade que se mantinha ao longo do tempo, uma vez que eu não mais os encontrava. Na verdade, eu creio que possuo uma imaginação muito além do normal, uma vez que aqueles seres que me aparecem diariamente no mundo são criados pela minha cabeça, segundo a conclusão que cheguei. Na verdade, aqui conto sobre um mundo que eu vivo e conheço, mas também não faço idéia da base da existência daquele local, e não tenha certeza de todos os princípios que regem aquele mundo. Aqui conto o que acho que seja, conclusões que cheguei através de uma lógica muito cuidadosa. Afinal, eu apenas vou àquele mundo, eu preciso descobrir o que é. Não sou nenhum cientista para fazer as pesquisas necessárias. Aliás, acho que isso tudo está muito acima da ciência. É algo mágico.

Na verdade, essa ideia de ser o único visitante do mundo real na Fabilândia já me vem sendo contestada há algum tempo, desde que minha irmã teve breve acesso lá, e atualmente tenho falado com as pessoas sobre esse mundo e elas sentem interesse em visitar o meu mundo. O que me é muito estranho, uma vez que as pessoas normalmente se sentem automaticamente desinteressadas em conhecer alguma coisa quando descobrem que ela é de minha autoria. Mas isso agora parte dessas pessoas. Esse é um mundo que eu só vou porque estou certo de que ele existe. Minha irmã também possuía tal certeza, pois, se houver alguma dúvida, não haverá como ir para lá. E eu ainda não sei por que se insiste em já descartar qualquer possibilidade da existência de uma coisa que pareça sobrenatural. Parece que sobrenatural só pode apenas ser uma série da televisão ou coisa assim. E o mais interessante é que a existência de qualquer tipo de espírito ou coisas do tipo não deixa de ser aceitável à população. Inaceitável é apenas aquilo que parece ser mágico ou feliz demais. É, parece que a crença no sobrenatural acaba sendo muito pessimista, só podem ser reais as coisas ruins e negativas e que tenham uma base naquilo que a cultura já vinha dizendo que existe. Também creio fortemente em tais coisas, tomo o sobrenatural como base de minha vida, mas me entristece saber de coisas nas quais o ser humano deposita a fé de forma tão aleatória. Pode-se ter fé em tudo, menos naquele mundo que o Fabinho criou. Como se eu tivesse planejado cada detalhe do mundo e tivesse feito forças para que ele existisse.

Após minha breve manifestação de tristeza, devo tornar a contar a história, voltar a narrar as experiências tão fantásticas que tive lá que me incentivaram a estar aqui contando para quem pudesse ler. Noto que minha alegria nesse mundo me faz ser levemente inconstante, mas há seqüências incríveis de episódios que se unem para que eu forme uma história que explique o sentido de minha vida. Talvez haja também uma história que me faça escrever de forma um pouco menos confusa, mas isso é outra coisa. De momento, me é útil que seja dito que tudo começou por planejar demais meu mundo.

Foi durante aqueles dias em que meu poder ainda seria bastante limitado e eu ainda não seria o que alego que seja invencível atualmente. Eu era apenas um jovem bobo e impertinente, que era muito dependente de seus amigos, um pouco mais resistentes. Sofria muito com os ataques que recebia, tanto no mundo como fora dele. Sim, como já vinha dizendo, é difícil que se acredite em tais coisas, pode parecer bobagem ou uma mera coincidência, ou talvez ainda coisa de minha cabeça, mas aquele mundo, para mim, ainda tem fortes influências em minha vida física, no mundo real. Eu realmente sinto as dores que tive lá. Hoje não mais, agora tenho a capacidade de recuperar-me estando na dimensão que me faz ser invulnerável, mas, até então, eu não poderia ser atingido, seria muito arriscado à minha vida. Tentava até então não apenas relatar fatos interessantes do meu mundo, mas mostrar cada ponto de influência que ele tem em mim no mundo real. Tanto psicológico como físico.

Eu ainda era jovem, mas ainda assim tive a oportunidade de visualizar tudo isso, e então me reuni com meus dois amigos, Jumi e Silu, e nos planejamos para que eu não sofresse nenhum ataque. Formávamos nossas estratégias de combate, e seguíamos naquele mundo vencendo com folga cada luta. Mas ainda pairava sobre nós aquele espírito de medo, aquele gelo em nosso coração que se dava ao pensarmos nos ataques que eu poderia sofrer, pois não sabemos o que pode ocorrer comigo se eu acabar morrendo lá. Ainda me via como apenas uma criança indefesa, por mais que tivesse um grande poder destruidor. Afinal, que criança que não possui tal poder?


19. Fatos e descrições

05/12/2010

Meus cálculos me surpreendiam. Não sou capaz de pensar em coisas tão mirabolantes durante uma prova, na escola, mas, nesses momentos em que minha vida depende deles, tudo acaba dando certo. Na verdade, seria como se lá meu raciocínio fosse mais apurado. E também não sei se o fato de eu ter criado aquele mundo me faz, sem que eu perceba, preparar tudo para que eu acabe sempre me saindo vitorioso. Seria muito plausível esse argumento. Mas é incrível o quão rápido consigo efetuar meus movimentos naquele mundo. E eu ainda contava com os anos de experiência que possuía naquele mundo. Por lá voava e vivia, era o mundo que eu queria. Falando do mundo, recordo-me que agora posso discorrer livremente sobre a montanha. Aquela montanha, a Montanha da Luz. Havia várias utilidades nela. Uma era o fato de ela marcar o exato centro da ilha. Eu realmente fui sempre muito metódico. Minha ilha tem regiões divididas em porções idênticas, e a área das ilhotas é possivelmente igual, segundo nossa projeção. Lá também era o ponto onde a luz seria mais forte. O mundo não possuía astros para brilhar, o brilho era natural do céu. As sombras eram normalmente provocadas por locais que protegeriam a luminosidade de diversos ângulos diferentes. Mas a sombra não fazia muita falta, uma vez que a temperatura lá é sempre agradável. E se faz calor, nadamos. Mas não há frio ou calor, em geral. É só uma forma de pensar que se está calor.

Mas tem a parte linda e maravilhosa da montanha, que não é o simples fato de se olhar para ela e ver sua imponência e beleza, ou a vista panorâmica que se tem lá de cima. Sim, ela é respeitavelmente alta. Mas não seria suficiente para que se pudesse ver tudo. O meu mundo era um globo, de um único ponto eu logicamente não poderia ver tudo. Foi quando eu, junto à Jumi e Silu, projetemos magnífico sistema de espelhos que seriam posicionados de forma a, através deles, ser possível ver todo o mundo. Contamos com a ajuda de inteligentíssimos amigos que estavam na cidade naquele dia. Tudo o que seria necessário para a construção daquele sistema conseguimos com facilidade. Precisava-se de espelhos enormes para que desse certo. Mas realmente muito grandes. A tecnologia que existe na cidade é suficiente para qualquer tipo de idéia. Conseguimos os espelhos. Eles eram absurdamente grandes. Deveríamos colocá-los bem distantes do chão, não para facilitar a visão, mas para que não atrapalhasse o vôo. E não fosse também tão facilmente notado. Apesar de ser realmente muito grande. Mas os colocamos bastante afastados mesmo do chão. Eles ficavam posicionados em locais que já deveria se saber previamente em que direção olhar. Assim, aqueles espelhos enormes, após muita precisão em seu posicionamento, e grande distância, para que fosse vista a parte escondida pelo globo. Mas de forma que pudéssemos ver com exatidão de detalhes e suficientemente grande cada local da ilha e do mundo. Usufruímo-nos das lentes das mais variadas formas, para que a visão fosse perfeita. Pronto, agora possuíamos um sistema de visão total da Fabilândia. Foi nele que vi Mauter se aproximar e pude então ordenar meu ataque efetivo.

Tendo descrito batalhas e tantas outras coisas sobre a ilha, acho que devo então falar sobre meu outro amigo, que então até hoje permanece comigo no meu mundo. Ele veio talvez numa elevação de minha autoestima. Nunca fui tão confiante em mim mesmo, nem tão alegre com a minha pessoa. Sempre me achei um rapaz dotado de diversos talentos, mas nunca era melhor do que ninguém. Foi quando surgiu em minha frente um rapaz, com aparência bastante jovem e alegre. Como já disse, meu corpo é, de certa forma, alterado quando entro na Fabilândia. Além de um leve aumento em minha estatura e porte físico, também meus cabelos crescem, de forma bastante exagerada. Adoro isso, amo meu cabelo cumprido. Já devo ter dito isso. Agora estou na intenção de ingressar à faculdade, onde, certamente, irão tirar meus lindos e longos cabelos de atualmente. Que nem estão tão longos assim, mas já me fazem feliz por poder prendê-lo.

Sem mais reflexões sobre minha aparência, digamos que conheci Nubi em um momento de total vale de minha autoestima. Ele apareceu, assim, do nada, em minha frente, totalmente desorientado sobre sua existência. Eu e Tito estávamos em um momento tranqüilo e agradável por lá. Ele era mais baixo que eu, parecia ser mais bobo do que eu e ainda tinha cabelos menos cumpridos que os meus. As coisas que as pessoas mais odiavam e usavam contra mim ele tinha em maior quantidade. Além de não ser tão poderoso quanto eu, não ser um músico tão talentoso quanto eu, e também não ser tão bom nos esportes quanto eu, mesmo eu não sendo bom nessas coisas. Não que essas habilidades ele tivesse em pouca quantidade. Na verdade, ele as tem aprimorado imensamente, gostaria eu de ser como ele. Eu só era bastante poderoso no meu mundo, no máximo. Ele veio então, para ser menos do que eu, ser inferior a mim. É até de certa forma trágico falar dele assim, afinal, ele é um ser muito agradável e alegre, adoro sua companhia. Ele realmente é um amigo muito especial para mim. E um forte lutador, sim ele é. Na verdade, ele não veio para ser inferior. Era, na verdade, para eu perceber meu valor naquele mundo. Sempre fui de subjugar-me. Não que minhas qualidades sejam realmente notáveis, mas deixo de reconhecer alguma coisa boa que tenho em mim. Me ajudou nisso. Ele não possuía nome. Entreguei-lhe um: Nubi. Em referência a seres, de certa forma, inexperientes. E eu sei escrever isso do jeito certo.

Fomos alegres e festejantes junto à Nubi nos divertir. Ele realmente é muito alegre. Sintoma que faz de mim um ser bobo que sofre todo tipo de preconceito e discriminação social. Mas lá me era divertido. Às vezes ele vem a ser inconveniente. Ele me ajuda muito a entender como eu realmente sou. Agora eu tenho uma montanha com espelhos e um amigo leal e bobo para todas as horas. A história pode começar a ser interessantes para vocês. Mas, ao invés disso, eu volto para antes do tempo em que conheci Tito e Nubi. Volto até onde estava com meus outros amigos, Jumi e Silu. Posteriormente, tornarei a falar desses novos. Mas gostaria de focar-me, por hora, nos antigos. Sobre um fato que foi determinante para uma nova postura minha com o mundo. Preparem-se, o próximo relato é bastante longo, perdura por uma série de capítulos.


18. Momento de luta

03/12/2010

Em um concentrado grito de ira e dor ao mesmo tempo, fechei meus olhos. Ao abri-los eu estava novamente na Fabilândia. Não pergunte-me como, sei que não faz sentido algum. Mas lá, minha dor seria ainda maior do que no mundo real. É certo de que lá minha resistência é maior do que no mundo real, mas a intensidade com que as coisas ocorrem lá é bem maior. Novamente, escondi-me em outra dimensão. Fui para uma ilhota qualquer, para não ser atingido por algum ataque aleatório dele. Minha memória atentou-se para Jumi e Silu, meus dois amigos com nomes dados por uma criança. Parecem adequados para algum desenho infantil. Eles perderam-se por tentar manter em mim a vida. Eles me fizeram entender que a coisa mais importante para aquele mundo seria eu. Eu e minhas ideias. Eles morreram para que eu pudesse permanecer vivo. Eu deveria então viver para justificar a ausência deles. Fortaleci-me naquele instante. Coloquei para dentro de mim toda a energia necessária. Num envoltório de energia, fui restaurando minhas feridas. Não sei a razão dessa tal cura. Talvez seja essa confusão toda de dimensões na qual me coloco. Alguma deve fazer isso sem que eu perceba. Devo pesquisar sobre isso. Ele havia colocado diretamente no centro de minhas costas enorme estaca, que atravessara meu corpo, trazendo a ponta à minha frente. Realmente, foi tremendamente amedrontador ver aquilo tendo penetrado meu tronco. Saindo da dimensão rapidamente desconectei-me daquilo.

Estando eu levemente recuperado, mas tendo minha vulnerabilidade novamente reconstituída, sem deixar de lado minha invisibilidade perante ele, fui ao combate. Resolvi que deveria juntar grande energia, estando em outra dimensão, para não ser talvez detectado por minha energia. Não sabia a dimensão de seu poder. O que eu poderia fazer era o tradicional envoltório de energia sobre ele, e ainda esmagando seu corpo. Era o que eu fazia quando não suportava mais a espera pelo fim da batalha. Sempre funcionava. Mas ele possuía o tele-transporte, eu deveria ser muitíssimo rápido, para que ele não tivesse tempo de reação. Agora eu só precisava encontrá-lo e tudo daria certo. Mas onde ele estaria? O que poderia estar ocorrendo? Essas dúvidas passando por minha cabeça e não o encontrava em lugar algum da ilha. Tito ainda estava lá, como se tivesse que agüentar algum cárcere, estando ele preso à montanha, com seus braços e pernas bem esticados. Sua agonia lá parecia intensa. Como não poderia encontrar Mauter, planejei-me para resgatar Tito. Deveria ser bastante rápido e tomar bastante cuidado, pois ele poderia estar em volta, cercando meu amigo. De muito longe, estiquei meu braço até ele, com todo cuidado. Notificando-me que nada estava o cercando, toquei nele, e assim o tirei daquela dimensão e o puxei para perto de mim instantaneamente, enquanto eu fugia com ele para bem alto. Ele estaria a salvo então.

Agora eu deveria procurar por Mauter, até destruí-lo. Ele, logicamente, não se manifestara, mesmo perdendo seu refém. Qualquer um que fosse encontrado primeiro correria grandes chances de perder a vida. Minha invulnerabilidade não seria suficiente contra ele. Ele trabalhava com a magia. Isso poderia anular minhas defesas. Eu tinha que matá-lo instantaneamente. Mas, como saber se seria isso possível? Era apenas um palpite que me geraria a decisão mais importante que eu deveria tomar. Fiz-me de isca, o que era realmente muito perigoso, não poderia haver brechas. Tito ficou seguro em outra dimensão. Como ele só permaneceria escondido enquanto em contato comigo, estiquei pequena porção de minha nuca e a dei para que ele segurasse. Eu a poderia esticar livremente o quanto quisesse, as pessoas parecem não entender direito isso. Eu posso esticar qualquer parte do meu corpo à medida que eu quiser. Não importa se sejam grandes porções ou minúsculas, eu poderia esticar qualquer coisa. Mas eu disse qualquer coisa. Assim, o mantive em local seguro, enquanto ele segurava um pedaço de minha nuca, o que pode ser verdadeiramente estranho. Ao centro da ilha. Subi na montanha. E lá me fiz aparecer.

Ainda não falei sobre a montanha. Nem agora seria o momento oportuno. Mas é importante agora que se saiba sobre a privilegiada visão que se tem de todos os ângulos estando na montanha. Ela possui até nome, agora, a chamávamos de Montanha da Luz. Lá é o lugar onde a luz é mais forte na ilha. E também queríamos um nome que trouxesse à mente coisas boas. Pouco antes de voltar à dimensão padrão, acumulei uma quantidade de energia antes inimaginável por mim. Mais do que brilhei em toda a história, brilhou naquela ilha uma luz jamais antes vista, e que não se terá outra igual. Aproveitei-me da dissipação de energia luminosa e também converti em energia. Infelizmente, apenas Tito viu aquela luz. Só ele compartilhava a mesma dimensão que eu. Sim, eu conseguira converter aquela luz em mais energia. Meu ataque seria ainda maior do que tudo antes já visto. Armazenei toda a energia em minha mão direita e com ela fiz também uma grande esfera, para poder envolver Mautre nesse ataque. Tudo estava muito bem planejado. Meu corpo físico não seria trazido novamente à dimensão padrão. Apenas eu poderia ser visto. Deveria tomar muito cuidado, o simples fato de ele segurar em meu braço já me fizera quase perder tudo.

Ele sabia que já poderia ter me destruído, talvez até já achasse que com o ataque que me perfurou isso teria conseguido. Mas eu me mantive bravamente na luta. Minha mão ficou exatamente sobre minha cabeça, um pouco mais alta, para que eu pudesse rapidamente atacá-lo vindo ele de qualquer direção. Por mais que eu pudesse controlar de forma igual cada parte do meu corpo, ainda preferia usar minhas mãos e pés, pelo hábito e até pelo tradicionalismo. Isso me custou ter que projetar outro braço direito em minha imagem , utilizando outras partes do meu corpo. Isso para mim veio até a ser fácil, já havia feito coisas parecidas antes. Fiz uma cara de assustado, como se tivesse medo do que estivesse fazendo. Assim, ele veio por trás de mim em alta velocidade e tentou atingir-me. Foi aí que me atravessou, e, estando de frente comigo, estiquei muito rapidamente minha mão que carregava minha bola de energia e o prendi. Com isso, saí então das demais dimensões, estando eu agora apenas na dimensão padrão e na de vulnerabilidade zero. Isso fez com que rapidamente meu corpo todo viesse a voltar ao estado original, fazendo com que Mauter, fosse comprimido instantaneamente por minha mão, acrescida de todo o poder que eu havia guardado. Meu oponente rapidamente foi destruído e, nesse instante, cessaram-se as trevas e toda minha dor dentro e fora daquele mundo. Tudo então voltaria ao normal.


17. Integrando mundos

02/12/2010

Sim, aquele mundo havia sido tomado por todo tipo de trevas imaginável. Digo isso como se todos na terra tivessem feito essa pergunta para sim mesmo. E era notável que não era de noite, apenas estava cheio de trevas. Após receber o forte ataque, aquela visão do mundo em sua normalidade acabou, e aquela magia que vinha me iludindo todo esse tempo se foi. Aquele mundo estava mais tenebroso do que qualquer coisa que se possa imaginar nos desenhos. O céu não era mais azul, ou até preto, como foi durante a noite. Ele era avermelhado, em um tom escuro. As árvores da floresta perderam suas folhas. Foi quando encontrei Tito, preso à montanha. Dentre seus vários poderes, Tito conseguia fazer uma barreira contra poderes relacionados à magia. Sua mente não poderia ser controlada como a minha. Rapidamente, me escondi então em outra dimensão. Isso aquele monstro não poderia detectar. Realmente, foi uma tática efetiva. Mas, assim que juntei meu poder para atacá-lo, ele logo também se desviou de tudo. Utilizei-me de minha tática apelativa, onde, em volta dele, eu faria um campo, utilizando meu próprio corpo em sua forma distorcida com sua vulnerabilidade zerada. Ninguém poderia escapar de algo assim. Infelizmente, sua magia era algo forte: ele dominava a técnica do tele-transporte. Como eu pude criar um monstro desses?

Não me mantive contente com isso, e a dor que eu vinha sentindo já não me incomodava mais. Foi apenas um ataque de raios. Foi o que eu havia pensado. Mas aquilo era uma magia que, de instante, me provocava profunda dor, mas era passageira. Mas eu, sem notar, acabava por estar sendo consumido por aquilo. Aquilo pretendia sugar minhas energias. Não me lembro de haver alguém com tanto poder em meu mundo. Ao menos, não dentre os que eu pude contabilizar o poder. As lutas em meu mundo não são como nos desenhos ou filmes. Nessas nossas lutas, não se preocupa com qualquer outra coisa, a não ser permanecer vivo, vencendo a luta. Não tinha uma pausa para conversar durante a luta. Todos os  momentos de conversa durante as lutas que relatei até agora foram tidos em frações de segundo, e muitas vezes com simples olhares. O oponente não parava para nos olhar conversando. Nem nós a eles. Não havia momentos tranqüilos. Para mim, é muito estranho assistir lutas em filmes e desenhos onde os personagens permanecem longos tempos entre as lutas sem estarem lutando. Afinal, isso tudo é uma luta.

Era sim, a pior luta de todas. Já tive que passar grandes tempos pensando em como vencer batalhas, mas aquela eu realmente não conseguia pensar em nada. Eu apenas o venceria em um descuido seu. Apenas caso ele se permitisse morrer. E eu ainda precisava fazer alguma coisa com aquela magia que havia recebido. Minha sorte foi rapidamente ter percebido essa tal magia que estava em mim para me consumir. Ela me acompanhou na mudança de dimensão. Mas ainda havia uma chance. Com o passar do tempo, aprendi que eu poderia também alterar as dimensões das demais coisas com as quais eu mantivesse contato. Poderia levar qualquer coisa comigo para qualquer dimensão. Foi quando descobri uma análise das moléculas em geral que havia em mim. Assim, lá eu poderia me molhar e então me secar apenas me desligando das moléculas de água que antes não estavam presentes. Algo desse tipo. Não sei explicar química e fisicamente, até porque nunca soube muita coisa de química e física. Apenas sei que na prática eu consigo fazer isso. Foi quando identifiquei algo que seria o corpo de magia em mim, por mais que seja estranho de se falar isso. Consegui convertê-la em energia, como tudo o que via pela frente. Tudo eu queria converter em energia para meus ataques. Mas eu tive a condição de reservar aquilo comigo. Até porque não sabia onde estava o monstro. Falei isso em voz alta. Alta não, apenas não foi com meu pensamento. Mas, logo atrás de mim, ele estava lá. Neste momento eu havia voltado para a dimensão padrão, e ele tentou me atacar. Não sei porquê fazem isso. As pessoas não tentam matar efetivamente, garantir a vitória. Elas precisam gabar-se. Antes de seu ataque, ele disse que não seria um monstro: seu nome era Mauter. Sua voz era imponente, amedrontadora, ainda que não possuísse grande volume. Mas para que avisar-me de seu ataque? Foi assim que desviei e ataquei-lhe com muita energia armazenada e ainda a sua magia. Não foi totalmente efetivo, com sua mão ele dissipou grande parte do ataque, mas ele chegou a vacilar.

Assim, eu, imbecil, em vez de buscar alguma coisa para sair em vantagem, acabei indo em sua direção para atacá-lo. Foi quando ele tocou no meu braço, defendendo-se. Seu feitiço rápido fez com que eu apagasse rapidamente. O suficiente para que eu saísse do mundo. Sim, é isso, não habito na Fabilândia enquanto durmo. Voltei para o mundo real, naquele corpo estirado no chão. Alguns segundos depois, senti uma enorme dor em todo meu corpo, algo como num forte impacto. Na tentativa de levantar, percebi algo que seria absolutamente o maior momento de terror de toda minha vida. Eu percebi que eu estava, então, nos dois mundos ao mesmo tempo, e o impacto que eu havia sentido seria eu que caí do alto onde eu teria desmaiado, sem reação nenhuma, logicamente. Tentei imediatamente voltar para lá, mas não consegui, foi como se algo bloqueasse tudo. Meu corpo estaria dormindo lá, e eu não poderia voltar para lá. O que ocorreu, então, foi que os mundos se inverteram na minha vida, meu corpo desligado lá e eu consciente aqui. Comecei a me sentir muito mal, como já vinha me sentindo. E sentir como se estivessem me batendo. Logo percebi que aquele mal estar todo vinha daquele mundo. Eu pensava que minha ausência naquele mundo não mudaria nada em minha vida real, mas minha saúde e sanidade mental pareciam depender da Fabilândia. Pronto. Estou destinado a viver por toda minha vida naquele mundo. Não que eu não goste, mas exige tempo. Tempo, era o que eu não tinha naquele momento. Meu corpo naquele mundo estava sendo destruído, e assim eu poderia ser destruído também. Eu precisava voltar lá. Foi quando senti um forte ataque em minhas costas, algo que parecia me perfurar. Foi quando senti profunda dor, mas também me atentei para todo meu empenho, minha vida dependia disso. Agora sim, minha situação não estava em minhas mãos totalmente.


16. Distante

01/12/2010

Foi então naquela época, eu estando no primeiro ano do segundo grau, já após as férias de julho, eu resolvi abandonar o meu mundo. Era somente um mundo das ideias, em nada mais influenciaria em minha vida. Eu realmente possuía grande apreço pelo meu amigo e por aquele lugar, mas era tudo aquilo que estava me atrasando. Sim, eu deveria fazer mais amizades no mundo real, acumular gente ao meu redor. Eu sempre quis isso. Queria ter mais contatos, poderia ser importante isso para mim posteriormente. Agora eu ia para escola e expressava-me de forma a demonstrar meu interesse nas pessoas. Por leves momentos, dosava minhas infantilidades de forma a ser agradável. Nunca consegui deixar de ser uma pessoa desagradável, até hoje, mas, por leves momentos em minha vida, consigo manter-me sem esse leve tormento aos outros. De primeiro momento, decidi parar de buscar ser alguém engraçado. Nunca tive o dom de fazer as pessoas sorrirem através do humor, então, nesses momentos em que eu me dedicava a ser alguém melhor, eu acabava buscando primeiramente desistir de minhas tolas piadas. Nunca dava tão certo assim.

Mas já era tarde. Estou perpetuamente rotulado como o  jovem bobo, inconveniente, desagradável e inconsequente que não se importa com a vida. Realmente, isso sempre fez parte de mim. Mas, a partir dessa minha tal mudança, que até então, em minha vida, seria a mais cheia de empenho de minha parte. Sendo assim, eu, em geral, acabo por ter mais amizade com pessoas que me conheceram desde então. Na maioria dos casos, é claro. É claro que acabei por possuir alguns amigos que já gostavam do meu verdadeiro jeito de ser. Não compreendo isso até hoje. E também é claro que tive vários momentos, e duradouros momentos, em que eu voltava a ser como originalmente sou. Exatamente no momento em que acabei conhecendo mais pessoas. Isso me é até hoje frustrante. Mas tudo bem. O importante é que tudo isso me levou hoje a mesclar o que eu sempre fui com o que decidi que deveria ser. E esse sou eu hoje. Não minto por ser como sou atualmente. Sou o que quero ser, com minhas falhas, sempre muito maiores do que minhas qualidades. Qualidades as quais preciso de amigos me ajudando a enxergar. Sim, hoje estou rodeado de pessoas que querem meu bem, se importam comigo e tenho prazer em me importar com eles.

Pois acho que ninguém gostaria de saber sobre meus amigos. Afinal, saber sobre eles não vai resultar em nada interessante a quem não for eu mesmo. Não existem duas pessoas com laços de relacionamento idênticos. E não, minha experiência não será útil a ninguém. Certamente, todos já tiveram experiências dessa natureza muito melhores e mais profundas. Não escrevo para falar de minhas experiências em um mundo onde todos possuem experiências. Afinal, tendo sido eu quem viveu cada momento, isso não fará com que sintam as mesmas coisas que venho sentindo até então. Então, deixemos de falar de experiências conhecidas, ainda que em outras realidades, mas similares. Contarei sobre minhas experiências no meu mundo, o qual só eu presencio os momentos. Mas, como prosseguirei falando dele, uma vez que não estaria mais lá? Sim, eu o havia abandonado. Minha vida então seria focada apenas em meu mundo real, junto com todos. Afinal, aquilo tudo era apenas uma fantasia. Em nada me influenciaria, então.

Até que então, em uma bela manhã como outra qualquer, estando eu na escola, fui acometido de forte dor de cabeça. Até então, normal, todos podem ter dores de cabeça. Mas isso foi seguido de uma série de chamados de Tito. Mas eu olhava para lá e tudo me parecia normal, o céu estava azul, as águas límpidas, tudo calmo. As aves só não cantavam alegremente por não haver animais na Fabilândia. Mas eu prosseguia sendo chamado. Mas eu não queria ir até lá, eu havia abandonado o local, e ainda por cima minha cabeça doía muito. Chegando em casa, notei que eu estava mais do que debilitado: andava curvado, com passos muito lentos e eu estava pálido. Sozinho novamente, todas as coisas interessantes em mim ocorrem comigo sozinho em casa. Mas eu disse sozinho. Foi, me dirigindo ao sofá para ficar deitado um pouco, quando caí no chão, deitando, assim, num lugar um tanto quanto indevido. Não conseguia mais me levantar, e era como se estivessem batendo em minha cabeça, e após isso em todo meu corpo. E Tito me chamava, e ia me chamando. Chamava-me como aqueles jovens desagradáveis que apertam os interfones por bastante tempo. E  isso me irritou, mas eu estava debilitado, como iria até lá, e se acontecesse algo comigo na vida real, como eu poderia me defender, ou lutar contra isso, ou simplesmente chamar alguém? Mas eu tive que ir até lá. Algo lá estava acontecendo, e parecia ser muito grande.

Chegando lá, vi o céu azul. Entrei lá bem no alto, não era costumeiro isso. Desci à ilha e fui andando, não encontrei ninguém. Mas eu me sentia estranho, eu parecia estar dentro de uma bolha. As imagens não estavam tão nítidas. Cheguei a pensar que fosse meu estado fora dali. Até que se achegou atrás de mim estranho raio negro. Estava tudo muito calmo lá, não senti a necessidade de me proteger com a invulnerabilidade. Foi um ataque muito poderoso, nunca havia sido tão fortemente atacado até então. E sofrendo todo esse impacto. Eu mal sabia o que era um impacto. Por estar naquele mundo, e por esse simples fato, eu já não tinha a simples vulnerabilidade de um ser humano comum, senão ali mesmo eu já teria morrido. Mas eu deveria me levantar. Afinal, do que seria feito esse monstro? Eu não vinha mentindo, me orgulhando de nada, tampouco sendo arrogante com as pessoas. Mas isso não vinha ao caso, eu estava muito machucado. O que eu deveria fazer seria acionar minha vulnerabilidade zero e ficar ali, esperando, recebendo seus ataques até que eu me recuperasse. E então pensaria em algo que eu pudesse fazer. Mas seria difícil, a técnica dele envolvia muita magia. Detesto monstros que utilizam magia. Por isso eu odeio bruxos. Odeio. É a única coisa que consegue me atrapalhar em meu mundo. Bom, eu deveria pensar em algo.