25. Opressão maior

24/02/2011

Assim, me mantive calado diante de meus amigos, apenas imaginando o que estaria acontecendo. Estava totalmente aterrorizado, uma vez que sabia que aquilo não era natural. Alguém estava controlando-nos sem que pudéssemos perceber. Claro, porque se soubéssemos já estaríamos fazendo algo em relação a isso. Pois bem, é claro mostrar que a mente estrategista de todos os meus oponentes caía numa enorme limitação que era o orgulho. Com tantas possibilidades de ataques, com grandes grupos, que poderiam nos exterminar rapidamente, eles preferiam enviar pequenas divisões, algo para tentar mostrar sua superioridade diante da grande equipe. Mas isso era a nossa única chance, era assim que conseguíamos nos manter vivos, e fortes na luta.

Mas essa luta seria diferente. Já teria eu vivido coisas terríveis na ilha, e ainda lutado contra os mais diversos tipos de ataque, os poderes mais variados. Creio que isso vem de uma criatividade imensa que pareço possuir. Acho que deveria escrever outro livro em alguma oportunidade, inventando histórias e podendo viajar por diversos assuntos, algo que seja divertido. Mas minha suposta criatividade estaria me trazendo problemas amedrontadores naquele momento. Na hora em que mais precisaria de pensamentos positivos, e que em geral me viriam, como nas outras lutas, eu estava com o coração totalmente negativista e odioso. Sentia tal fome, frio, e de alguma forma eu sentia o desejo de sair, ainda que permanecesse lá. E por mais que eu trouxesse cativos meus pensamentos ruins para tentar pensar em algo, eu sentia uma força puxando aqueles pensamentos. Foi quando eu senti como se houvesse um mundo das ideias dentro daquele meu mundo das ideias, algo como um ciclo infinito. E naquele segundo mundo das ideias eu permanecia em luta contra aqueles pensamentos.

Foi quando olhei que não apenas eu lutava contra meus pensamentos e sentimentos. Meus caros amigos começaram a se olhar de forma estranha, com uma expressão que revelava um certo ódio. Era totalmente aceitável irar-se num momento daqueles. Mas não para Jumi. Jumi era o ser mais doce que já existiu naquele mundo. E creio eu que, se ele tivesse vivido aqui também, teria sido o mais doce da história do universo. Não digo que seja isso que deveria impedi-lo de guardar ódio em seu coração, mas todos os atos dele, todas as circunstâncias por que passara até então revelavam que não existia ódio em seu coração. Ele era sempre calmo e paciente, dedicado e carinhoso. Quando em meio às lutas, ele mostrava empenho em derrotar, mas nunca demonstrava ira. Ele nunca mostrou uma feição irada para nós. E creio que para nenhum outro. Podia ser visto amor até naqueles ataques que nos pareciam furiosos, mas ele os realizava por amor a nós, e amor àquela ilha. Mas aquele não poderia ser ele. Com um olhar tenebroso, ergueu-se e caminhou em minha direção, me culpando por uma série de situações que ele havia passado. E ele não estava pensando apenas em discutir o assunto. Com um salto veloz realizou uma de suas grandes investidas em minha direção. Não era ele. Não era a mente dele. Mas era com o corpo dele que eu deveria lutar, pelo menos até isso passar.

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24. Breve Pausa

02/02/2011

Aproveitávamos ao máximo o tempo que tínhamos para que pudéssemos descansar. Era nossa chance de recuperar alguma parte de nossas energias. Naquela época eu ainda não possuía poder algum que me curasse e ajudasse meus amigos, e Tito ainda não havia surgido lá. Ou seja, a menos que conseguíssemos chegar até a cidade, nossa recuperação deveria ser natural, apenas com o tempo de repouso. Comento depois o porquê disso. A perna de Jumi estava ferida, e era dela que surgia a maioria dos seus grandes ataques, especialmente os de longa distância. Tentava eu fazer um envoltório retirando a energia em forma de calor, na esperança de resfriar a região do ferimento, ainda na esperança de que isso pudesse ajudar de alguma forma. Olhei para Silu, gravemente ferido em seu tronco, com grandes cortes em suas costas e muita dor em seu tórax. Não havia o que eu pudesse fazer. Aliás, quando fui realizar meu último ataque contra aqueles quatro pequenos seres, me virei e abri minhas defesas, de forma que não pude absorver por completo o ataque deles, assim revertendo-o contra eles. Eu havia recebido em grande quantidade um terrível ataque explosivo, vindo das armas daqueles inimigos. Meu corpo era então envolvido por uma grande dor, que quase me impedia de permanecer em pé. Mas meus amigos, por mais que me protegessem sempre, tinham em mim a inspiração, a confiança no meu poder, eles esperavam de mim uma postura de alguém que seria o mais forte daquele grupo. Então eu deveria aparentar força, para poder passar isso para eles.

Na verdade, foi tudo isso que me fez formar uma consciência de que não devo desistir por nada. Por mais que pareça tolo ficar falando sobre isso em meio a um relato de uma luta tão intensa, eu realmente entendo diversos aspectos que deram a esse mundo uma utilidade maior do que um simples escapismo da sociedade. Eu realmente cresci muito nesse mundo. Eu aprendi que, enquanto se está numa luta, você pode acabar se machucando. Pode sentir dores horríveis. Pode se sentir incapaz de lutar e pensar parar. Mas você não pode parar, senão você acaba. Você tem que ignorar, agüentar e continuar lutando. Eu passo por momentos terríveis por agora, no mundo real, mas foram essas lutas, pequenas e grandes, que me ensinaram como devo me comportar por aqui. E nada deve me fazer desistir.

E foi assim que me mantive, suportando a dor, meu olhar deveria parecer firme. De nada adiantaria sorrir naquele momento, para tentar passar alguma coisa boa para eles. Na verdade, eu deveria passar apenas força. E isso era uma coisa que ainda permaneceria em mim. Eu ainda tinha muita força. Fomos repousando, acreditando que logo mais viriam os outros ataques. Mas com a grande esperança de que eles demorassem muito a chegar. Eu sabia que aquelas dores permaneceriam em mim aqui nesse mundo, então resolvi por permanecer lá em busca de alguma forma de recuperar-me. Pois seria muito difícil conviver com essa dor fora daquele mundo. Aqueles meus pesadelos se tornavam realidade, e eu voltava a pensar no que poderia ocorrer comigo no mundo real se eu perdesse a luta naquele mundo. Nesse momento comecei a pensar em muitas coisas ruins, e tais pensamentos ruins pareciam estar me consumindo, e eu entrava em uma situação de depressão naquele momento. Foi quando tive fome. Não comentei muito sobre isso, mas na Fabilândia não há astros, não há calor muito grande, não há frio muito grande, não há chuva, não há nuvens. Mas também não há grande parte das necessidades fisiológicas por lá. Enquanto estou lá, eu não preciso comer. E sempre foi assim, nunca senti fome lá. E nem a suposta “sede de conhecimento”, por estar no mundo das ideias. Lá simplesmente não tenho tais necessidades fisiológicas. Mas naquele momento eu sentia fome. Estava tudo muito errado, e algo horrível estava por vir.


23. Força de batalha

02/02/2011

Era algo realmente estranho. Se bem me lembro, foram seis explosões seguidas, vindas claramente do Azul. Algo que mais parecia um ataque terrorista, fato totalmente novo naquele mundo. Na maioria dos casos eles vinham diretamente nos atacar, porque queriam o domínio da ilha, não apenas destruí-la. E o termo “maioria dos casos” pode também ser interpretado como “sempre”, “toda vez” ou “sem exceção”. Era o mal que havia em mim querendo tomar conta de minhas ideias. Mas aquilo ali poderia ser interpretado como o mal desistindo do comando e realizando uma operação destrutiva, querendo então destruir-me por completo. Na verdade, esses seriam pensamentos muito profundos para um pequeno ato. O que eles realmente queriam era atenção. Emboscada. Cilada, Bino! It’s a trap! Era isso. E de nada adiantaria esse pensamento passar por nossas mentes no dado momento, pois houve explosões, deveríamos ir lá de qualquer forma para analisar a situação e talvez socorrer alguém.

Fomos rapidamente. Incrivelmente, aquela região estava deserta. Por uma luz divina que estava em minha cabeça, notei que os estragos não haviam sido relevantes e que não havia feridos, então não deveríamos estar ali. Gritei para que rapidamente nos encaminhássemos para o deserto, porque logo viria uma luta, uma luta muito difícil. Não foi o suficiente para que de fato chegássemos lá a tempo. Ao nos aproximarmos da fronteira entre as regiões fomos surpreendidos por poderosos ataques que nos mantiveram ali. Caímos. Eu, que não fui atingido realmente, logo me ergui e, sem nem olhar para meus amigos, já voei com gigantesca velocidade para bem alto, estando então voltando, e fazendo movimentos verticais muito rápidos, locomovendo também para os lados aos poucos, onde localizei os autores do tal ataque. Eles me pareciam muito bem equipados, mas eram apenas quatro. Acabavam por parecerem com pequeninas batatas dotadas de pernas e um excelente escudo, algo do tipo. Mantive-me naquele deslocamento indo em direção a eles, que não tiveram muita reação. Foi quando mudei minha trajetória para atingir todos eles, deslocando-me então horizontalmente, mantendo tamanha velocidade, assim atingindo eles com vários golpes de agilidade. Na verdade, naquela época, meus socos e chutes não eram nada danosos para meus oponentes, assim me mantendo preso aos ataques de energia e os de velocidade, que até então vinham sendo muito bem utilizados. Mas aqueles inimigos, que, ao melhor vê-los, percebi que possuíam o tamanho de uma criança normal, não foram destruídos com meu ataque. Alguns deles caíram, mas logo se recuperaram, antes mesmo que tocassem o chão. E vieram rapidamente em minha direção, enquanto eu tentava atacá-los. Mas aqueles quatro logo receberam a ajuda de outros quatro, e outros quatro, e eles não eram tão vulneráveis aos meus ataques. Em fúria, realizei um ataque muito maior e potente, mesmo assim também cedendo espaço para receber ataques deles, mas consegui livrar-me de todos, praticamente.

Voltei-me para baixo. Vi meus amigos ali, de certa forma feridos, mas firmes na batalha. De longe pude ajudá-los, e conseguimos chegar até o deserto, lugar melhor para lutarmos. Pelo menos era lá que estávamos acostumados com a luta. Assim, chegando lá, ainda sendo perseguido por outros fortes oponente, conseguimos derrotá-los, com uma excelente e sagaz materialização de Silu, que acabou por esmagar a todos eles. Cansados e feridos, amedrontamo-nos com o que estaria por vir. Aqueles oponentes eram muitos, e muito fortes. Esses pensamentos nos davam forças, por termos conseguido vencê-los. Mas ainda mantínhamos o medo por acreditar que o primeiro ataque não seria o mais potente.


22. O prenúncio de uma nova luta

02/02/2011

Estávamos para completar alguns dias sem nenhum ataque. Seria eu assumindo uma natureza à prova de falhas? Não, por mais que tenha até se passado tal pensamento por minha mente, eu ainda não teria destruído meus monstros que me trazem ao mal. Na verdade, pelo andamento das coisas, parece que não será tão cedo que todos eles serão destruídos. Mas venho lutando bravamente, contando com a ajuda de meus amigos. Até os que não chegam a entrar no meu mundo têm me ajudado, me dando forças antes que tais coisas ruins sejam por mim cometidas. Vejo então que minha teoria de viver sozinho nesse mundo sem ter ninguém ao meu lado acaba indo pelos ares, ao lembrar-me de quantos amigos tenho ao meu redor me dando apoio. Parece-me muita injustiça dizer que vivo sozinho. Uma enorme falta de consideração, certamente.

Pois bem, digamos sobre os acontecimentos que estavam por vir, agora que nossa equipe de luta vinha sendo reforçada com o novo poder de meu caro amigo Silu. Ele parecia estar muito confiante, algo que também passava a nós, seus amigos de inferior sabedoria nesse grupo. Eu estava começando a criar ideias mais maduras naquele mundo – pelo menos lá –, mas Jumi permanecia fiel à sua comparação com uma toupeira. Ele sempre possuiu um grande coração e sempre realizou precisamente nossas instruções, não tinha grande dificuldade no aprendizado. Mas seu potencial de planejamento era incrivelmente pequeno, e ia diminuindo com o decorrer da pressão sofrida na situação do momento. Mas era uma equipe agradável, com grande amizade guardada em cada um. Protegíamos e atrapalhávamos, agradávamos e irritávamos, e assim fomos vencendo as lutas, e crescendo um pouco mais a cada dia.

Foi quando notamos movimentação estranha pela floresta. Como não há animais no meu mundo, não é comum que se veja muita gente pela floresta. Apenas caminhávamos, buscando um pouco de diversão, em direção às áreas mais densas da floresta. Críamos que não havia a necessidade de se correr com tanto vigor por hora, mas notamos que com tamanha destreza algum ser percorria, como se fugisse, como se buscasse esconderijo. Sem que notássemos, ele iria em direção da região preta, fomos seguindo ele, de longe, aguardando o pior. Normalmente, a floresta é um local muito vulnerável naquele mundo, ainda mais naquela época, enquanto eu não poderia esticar meu braço a fim de formar uma imensa bacia para retirar a água do mar e apagar algum fogo que se iniciasse na floresta, ou ainda em qualquer lugar. Buscávamos chamar o ser que corria por lá, mas ele ainda fugia de nós, agora olhando para trás, mas sem demonstrar medo em seu olhar, mas demonstrando de certa forma que fazíamos aquilo que lhe era esperado. Aqueles olhos me lembravam de alguma coisa, algo que me deixava aflito, mas que eu, por algum motivo, não quis mencionar aos meus amigos. Pedi a Silu que nos indicasse nossa localização. Por mais que seja estranho, falo muito para relatar momentos realmente muito breves. Perseguíamos o tal ser com tamanha velocidade, logo Silu me advertiu assim que nos aproximávamos do Preto, e eu os adverti a parar, pois ele queria nos levar para algum lugar. Logo mais, o vimos entrar na região preta. Fomos então à área branca, pensar no que poderia vir, mas logo ouvimos explosões vindas da área Azul. Parecia um ataque surpresa, que não seria tão fácil de ser detido.