56. Debate

15/09/2011

Rodeados estávamos por sete vilões. Não sei por que relativizo coisas que já são de minha total certeza, trazendo termos como “cerca de” para representar o número. Eram sete, e sete vilões fortíssimos que poderiam nos derrotar com até mais facilidade do que os gigantes. Sua resistência era, logicamente, muito menor, mas nem havia a cogitação da hipótese de se tentar utilizar novamente a espada. Teríamos que dar um jeito de fazer com que eles não atacassem a todos nós por vez. Mas trago então os fatos mais do que puros.

Iniciou-se uma discussão, uma clara discussão, daquelas que, costumeiramente, geram brigas escolares. Sem que eu compreendesse que tipo de alucinação eu estaria tendo naquele momento, um dos rapazes que estavam de pé à minha frente começou a gritar comigo e caminhar em minha direção. Ele me questionava sobre meus métodos de criação desse mundo, sobre opressão e coisas sobre as quais eu nem possuía o conhecimento intenso. E na mesma agressividade com a qual ele me dirigia as palavras. Eu trazia as respostas sob o meu conhecimento, e era uma discussão muito sem nexo, sem sentido. Só sei que quase brigávamos quando uma das jovens atirou-nos um ataque muito forte, ao chão, próximo a nós. Ela começava então a discutir com o próprio colega. Os dois pairavam à minha frente, eu poderia atacá-los e feri-los gravemente, mas não seria eu tolo quanto a isso. Eu apenas fiquei observando, absurdado com a situação, totalmente intrigante para meu interior. Começava a olhar ao redor, os demais me encarando, ou encarando os dois, ou não dando atenção. Uma delas olhava para mim, como se buscasse alguma coisa. Eu também fiquei olhando, achei interessante a situação. Acho que ela queria dizer algo sobre o que estava ocorrendo, mas não se sentia muito incentivada a principiar-se no caso. Eu entrei no contexto, comecei a questionar aonde aquilo iria.

A garota que estava brigando, Fléa, creio que fosse isso, mudou então o enfoque da discussão e veio então me questionar sobre o mundo. Acho que formulei muitas idéias políticas ao longo do início de meus estudos secundaristas, ainda que cedo no meio. Aquilo era finalmente o reflexo de minha primeira imagem deste mundo. A garota me disse que minha razão de estar ali era reprimir aquelas existências. Quais? As da região preta. Creio que fui compreensível em mostrar que isto se fez como parte do diálogo, pois não? Não ouso discursar diretamente na produção de meus textos. Não o faço por digressismo ou estupidez ou insegurança, mas não o faço. Creio não ser esta a intenção do texto de agora. Retorno. A garota me questionou de forma violenta como se não houvesse amanhã (o qual realmente não houve) sobre o fato de eu não os deixar existir. Eu dizia que nunca se me foi apresentada uma proposta de existência vinda daquele lado que me fosse plausível de coexistência. Preconceito, não? Não, eu pude formar esse conceito no exato momento em que a primeira coisa que vi desse mundo foi alguém que tentou matar a primeira pessoa que me tratou bem no mundo, e conseqüentemente matar a mim também, e eu tive a possibilidade de destruí-lo. Unicamente isso. E por que você é quem tem que viver? Porque eu… prefiro viver? O que seria mais imbecil do que aceitar passivamente minha morte para manter vivo alguém do qual não sei a procedência e além disso tentou me matar, o que é, por definição, contra meus princípios de moral e bons costumes? E quem disse que são estes os que estão certos? Creio que seja melhor agora começar a utilizar o discurso indireto. Respondi-lhe “Cara, você está prestando atenção ao rumo dos argumentos que tem me apresentado? Não faz o menor sentido você querer que eu seja, então, um suicida sem causa. Eu estabeleci os meus princípios para que viva eu neles e que permaneça buscando que estes sejam cumpridos em minha vida, e você vem me questionar sobre isso? Que tipo de sentido você vê nisso?” e tive, para minha infeliz resposta que “Que tipo de autoridade você tem para decidir quem vive nesse mundo? Em algum momento você parou para nos ouvir?” e eu “em algum momento vocês pararam para falar?”. De fato, agora eles estavam falando. E isso era muito novo para mim, sete seres poderosos ao meu redor, na eminência de me matar e querendo discutir sobre seu direito de viver no mundo. “Vocês querem o direito de viver aqui para quê, para destruir esse mundo e oprimir o seu próprio criador?”. Não sabia eu a qual caminho estava me levando. “E quem foi que decidiu o que é melhor para esse mundo, destruir ou preservar?” “até onde me conheço por gente, as coisas costumam permanecer melhores quando não são destruídas. Eu, particularmente, não sou muito chegado na idéia de ser destruído.” “e por que você que tem que decidir essas coisas? Eu gosto de destruir coisas, por que não tenho direito de me divertir, de fazer o que eu gosto?” “porque isso vai exatamente contra as coisas que eu gosto. Eu gosto desse mundo, eu o criei, eu vivo aqui, e não o quero destruído”. Não, eu não tinha esse linguajar, meu discurso vem melhorando muito nesses últimos tempos. Até que ela ganhou de mim o pretexto e circunstância emocional que havia planejado: “E quem vai decidir qual gosto dominará?” “O mais forte”.

Neste momento eu estava extremamente enfurecido.  Não por ter uma discussão, mas por ter sucedido uma discussão muito inválida, sem nexo, desnecessária e que firmou-se em bases que nem eram bases, eram palavras soltas provenientes de uma ignorância argumentativa, aqueles mesmos argumentos que não vejo trazerem resultados há muito tempo em várias áreas.  Isso me enoja, isso me ira com muita facilidade. Não gosto de coisa besta por falta de capacidade de fazer algo que não seja besta. É simples para mim a vida dessa forma. Mas minha fúria os fortalecia, além de me desconcentrar, isto lhes era muito útil. Agora eles tinham, além da vantagem que julgava já lhes ser suficiente naquele momento, o meu descontrole emocional, o que me é muito prejudicial uma vez que se trata de um mundo de idéias. Como lhes vinha dizendo no capítulo anterior, há coisas no decorrer dessa batalha que eu julgaria mais importantes do que minha expressão pessoal, que é a princípio, a razão desse livro. É uma história muito linda, muito forte, muito emocionante, e eu tenho itens pessoais que entram no meio dela, tornando-a ainda mais interessante, mas quebrando as coisas que tanto me são importantes passar. Então, transfiro-a para uma visão externa sobre o ocorrido, para que não seja tudo perdido. Posso referenciar-me posteriormente.


55. A ponte indestrutível e o abismo do tormento

12/09/2011

Utilizo-me de meus membros inferiores para empurrar violentamente os respectivos recipientes utilizados para armazenamento e transporte de água com prazer. Cá está um título finalmente digno para um capítulo. Ainda não sei o que direi para ligar fatos a esse nome, mas creio que será bem proveitoso. Importam os devidos relatos sobre os acontecimentos posteriores. Teríamos concluído o que seria a terceira etapa do que já identificávamos como uma guerra. Eram batalhas que não vinham ao acaso, em decorrência de vilões que surgiam do nada com intenção de dominar o mundo, mas pudemos notar que, de fato, era algo totalmente planejado, uma movimentação estratégica para finalmente me derrotar. Pela soma de fatores que mantém minha imaginação mais do que notável, minhas idéias sempre possuíam uma forma totalmente fora do convencional e lógico para fazer com que eu nunca fosse derrotado. Mas esta rotina vinha me debilitando num ritmo incrível. Foi o momento de concluir a batalha e me preparei para recuperar-me na máquina, a qual nunca usava, estava até quase como nova, pronta para os decorrentes usos dessa guerra. Não lembro-me de ter comentado mas sim, eu decidi unir-me aos cientistas que na cidade estavam naquele dia para criar essa máquina em menção aos desenhos que assistia eu quando criança, e até hoje, provenientes de regiões orientais e onde um jovem rapaz não sabia lidar muito bem com essa idéia de morte e sempre buscava voltar para salvar novamente o universo. Retorno.

Retirei-me então do mundo, após recuperar-me, para poder dedicar o total de minha vitalidade à aula. Logicamente. É certo então, permaneci na aula, dormi na aula, naturalmente, como de costume. Mantive-me aflito internamente, unia minha alegria, minha forma estúpida de viver externamente com minha luta interna. Comecei a desesperar-me, não conseguia, incrivelmente, nem mais dormir naquela aula de física. Eu realmente entendo que pareça certo tom irônico e cômico mas de fato, isso é incrível, não busco um comentário maldoso sobre a situação, só expresso o que me é de costume. Afinal, eu pretendia permanecer simulando meus comportamentos costumeiros, mas algo estava muito errado comigo, estava simplesmente havendo uma guerra dentro de mim. Consegui segurar tal ansiedade. Apropriei-me da presença de um bom amigo para buscar minha distração, foi até efetivo. Ficava diversas vezes olhando o mundo para ver o que vinha se lhe ocorrendo, mas só encontrava Jumi e Silu em guarda.

Finalmente, retornei à minha casa. Meus pais estavam lá, e eu com aquele olhar aflito. Consegui, ao que creio eu em minha ingenuidade, disfarçar. Permanecia meu sorriso amarelado na presença deles, eu não tinha como entrar no mundo com eles lá. Eu poderia ser chamado a qualquer momento, e o que eles diriam se eu não respondesse. Mas a graça divina permaneceu favorecendo-me. Tão logo notei que meu pai sairia com minha mãe para o mercado. Fui questionado sobre minha vontade de acompanhá-los, o que me motivou a pronunciar aquela resposta negativa que para mim soava como uma linda canção de amor. Retornei ao mundo e deparei-me com meus amigos rodeados por um grupo de cerca de sete novos vilões, que a meu ver seriam semelhantes em força ao segundo que se me apareceu. Entretanto, eu comecei a pensar sobre eles antes de vir trazer esses fatos a vós. Foi quando percebi que eu não teria condições de contar certos detalhes da história. De certo, mesmo que queira eu trazer determinados pontos de vista, eu acabo sempre me prendendo a alguns conceitos e digressões que vão me revelando, logicamente, mas não trazem o enfoque que eu gostaria que a história tivesse. Claro, meu objetivo é trazer ao mundo minha visão de mundo, o porquê de sua existência e como ela se constituiu. Mas eu gosto muito das histórias, e certos decidi não contar certos detalhes da história. Adianto que os meus novos inimigos estavam, antes de iniciar o combate, enfrentando-nos de forma discursiva. Nunca teria, pois, eu, visto algo parecido. Eles queriam discutir, trocar idéias antes de começar a tentar nos matar. Achei particularmente algo genial. Eles tentavam oprimir-nos para facilitar seu trabalho, ou ainda colocar em nossas mentes algo que os favorecesse. Então, busco delegar minha função para que um trecho da história seja contado com certas ressalvas que creio que serão úteis, e além disso trarão a visão da história que eu mais gostaria de dar mas não tenho a capacidade para tal. Aliás, vocês têm visto minhas inúteis tentativas de escrever da forma que quero. Eu apenas tenho me expressado, mas esses momentos têm me sido úteis para que eu verifique que não sou, de fato, apenas aquilo que penso. Por exemplo, já deveria ter me encerrado por aqui. Peço então apenas que observem o prosseguir dos fatos.


54. Interno

10/09/2011

Juro que acabo logo com isso, para fingir que já acabei ao anterior e não haver a necessidade de mudar o nome do livro. Ocorreu que, logo que um foi destruído, o outro começou a ficar um tanto quanto violento. Ele já era, de certa forma, uma espécie de troglodita, ao meu ver, mas agora ele sentira que não seria invencível. Parecia um animal assustado, que faria de tudo para se proteger. Em contraposição, eu começara a me sentir genial e muito poderoso. Eu teria conseguido vencer a batalha que eu já teria perdido há tempos. Era alegria tamanha que mal cabia em mim. Eu olhava para Silu como aquela criança obesa que marca seu primeiro gol na educação física do segundo ano do ensino médio. Não eu não era esse ser, eu apenas demonstrara alegria tamanha que precisava de algo do tipo para comparar. Agora seria o momento de terminar a batalha. Aliás, esqueci-me de mencionar o fato de que, no momento do ataque, eu cobri a espada com enorme camada de energia, de modo a potencializar o ataque sem prejudicar Silu. Eu, com minha alegria e motivação mais do que renovadas, ia determinado a vencer o outro monstro quando Silu me parou, chacoalhou a espada, ocasionando um grande tranco para mim. Me advertiu com tremenda ira que não era fácil matar alguém dessa forma. Precisaríamos ainda de outra estratégia, a qual seria muito difícil de aparecer. Soltei então a espada para que pudéssemos esquivar do gigante, que vinha mais do que enfurecido. O gigante, agora, em grande momento de desespero, se nos vinha como se não houvesse amanhã. Entretanto, crendo haver outras formas de combate, o belo garotão teve a grande idéia de passar a alternar seu tamanho. Ora estava do meu tamanho, ora gigantesco. Detalhe era que, neste momento, ele fazia isso com incrível agilidade. Era uma técnica bastante efetiva. Eu e Silu voávamos, esquivávamos, mas o gigante em forma minúscula já nos perseguia, nos alcançava e, sem que ao menos pudéssemos saber da transformação com antecedência, ele já estava nos esmagando. Poderia, pois, eu, descrever detalhadamente alguns movimentos da luta, mas esta resume-se a isso mesmo. Era um usufruto tão magnífico de seus tamanhos que mal podia eu imaginar como permaneceríamos vivos. Meu surto de alegria durou pouquíssimo tempo. Entretanto, em dado momento, o gigante parou em forma gigante, de fato, em leve momento de vantagem, para aqueles lógicos momentos de orgulho de quem finalmente vence a luta. De fato, ele tinha total domínio, apenas brincava conosco. Dispúnhamos naquele momento em vôo, em sua frente, enquanto ele permanecia ao chão. Nós o tínhamos atacado anteriormente, mas nossos ataques não furavam seu corpo. Era, finalmente, impossível. Sim, é chegada a hora em que algo obscuro, tenebroso e totalmente sem lógica ocorre quase inesperadamente para que a história receba um final feliz. Creio que já perceberam o porquê de eu permanecer vivo nesse mundo. Jumi, chegando às costas do gigante que estava, logicamente, distraído (sim, eu devo viver um Reality Show secreto em meu mundo, estão todos me vendo e rindo de mim que acho que as coisas realmente estão ocorrendo ocasionalmente, não estando tudo programado). Assim, com o ataque que lhe restava, ainda com dores em suas pernas, utilizou-se de seu braço para apoiar-se ao chão e impulsionar fortíssimo golpe, emitindo um raio cortando que saía de suas pernas. Nunca o vi tão forte. O ataque fez enorme rasgo na perna do gigante, na coxa, pela parte de fora. Não tive dúvidas, mais do que depressa cobri-me de toda a energia disponível pela luz do lugar e entrei naquele buraco enorme que havia sido formado. Eu precisava juntar realmente muita energia, uma vez que dentro do corpo do meu caro eu não teria como recolher mais energias para poder destruí-lo internamente, o que ocasionou um acúmulo de energia mais do que anormal, em velocidade e quantidade incríveis, como jamais tivera sido visto em toda história. Aproveitei-me também da energia proveniente do percurso também excessivamente veloz até o monstro e consegui o que julguei suficiente. Com meu escudo formado, consegui navegar por dentre os sete mares internos do gigante. Meu plano que se correu como um feixe de luz em minha mente era o de chegar ao centro do coração do gigante e assim explodir meu ataque. Foi, de certa forma, bastante desagradável estar por dentro do corpo de um monstro. Eu não vi o que ocorreu nem como foi, eu estava dentro dele, num escuro terrível com bases totalmente gosmentas. Não entendo o motivo de a parte interna do organismo de alguém naquele mundo formar-se desse modo, uma vez que ao morrer estes seres apenas desintegram-se. Achei absurdamente desnecessário. Importa que obtive sucesso. Ao verificar a conclusão dessa batalha mais do que tenebrosa, retornei ao mundo normal para verificar então o que haveria na aula. Eu permaneço sempre no problema de retornar à Fabilândia enquanto há pessoas por perto uma vez que elas podem me chamar e não entender o porquê de eu não respondê-las, achando então que tenho algum problema. É intrigante. Sempre evitar tal situação. Agora vejamos o que ocorreu após tal fato, uma vez que a guerra se estende e começa a provocar tormentos gradativamente maiores. Quanto ao fato de mudar o nome do livro, frustro-me tanto com minha incapacidade de contar histórias bem sintetizadas que pretendo então mudar de pronto meu nome, tão logo. Chamem-me de Gabinho Filherme, desisto dessa vida.


53. Simples

09/09/2011

Sim, tenho poupado-me de títulos mais elaborados, ou pelo menos de mais palavras. Não vem ao caso. Importa que eu conte a resolução desse combate com os gigantes em sua riqueza de detalhes ainda nesse capítulo. Caso não o consiga, mudarei o nome do livro para “As digressões da Fabilândia”.

Então, saí rapidamente em direção dos gigantes, não muito descansado, talvez até mais debilitado do que enquanto estive lá. E eu ainda precisava agir com agilidade. Oh, vida linda que me destes, ao menos esqueci-me naquele momento de que não havia como ganhar aquela batalha e eu haveria de morrer, logicamente. Com um pouco de minha presença lá, os gigantes logo deixavam de lado meus amigos e direcionavam-se a mim. Com um leve desvio deles, cheguei ao deserto, onde todos finalmente encontraram-se. Então os gigantes também achegaram-se a nós e neste momento pudemos encararmo-nos por alguns instantes. Jumi estava levemente machucado, mas ainda possuía forças para realizar alguns ataques muito importantes, dos quais logo torno a mencionar. Fato é que não poderíamos contar com ele em sua totalidade, dando a ele missões de ataque com alta exposição, ou seja, deixar em suas mãos grandes acontecimentos. Entretanto, esta é minha visão estratégica do momento. Esta que pareceu extremamente abalada no momento em que olhei de fato a expressão de Jumi. Não era algo agradável. Nele consegui identificar toda a frustração. Era como se toda a esperança estivesse sendo esmagada. Não sei como descrever, mesmo, mas aqueles olhos grandes pareciam estar vendo novamente todos os momentos de vitórias e alegrias que tivéramos naquele mundo. Jumi sentia vontade de chorar por me perder, perder Silu, perder sua casa, seu mundo, sem mais nada poder fazer. E o máximo que poderia fazer já não era mais útil, uma vez que agora, sem sua total potência de ataque era de certa forma maior peso do que vento. E ele não era apenas um jovem companheiro. Ele tinha aquela essência de amar os que estão ao seu redor como se sua respiração dependesse disso. Eu olhava para ele e era como se ele já soubesse que tudo ia acabar. Sua razão findou-se por completo. E foi assim que o vi por durante alguns segundos, e não podia mais ficar pensando no que fazer. Era um olhar que parecia me puxar, eu precisava fazer alguma coisa.

Rapidamente, puxei Jumi junto a mim e levei-o a uma certa entrada que havia colocado ao mar, algo como um esconderijo. Não tínhamos muito que fazer sempre, nos divertíamos com coisas simples. E esta teria, pois, sido uma diversão muito útil. Não o costumava levar comigo, não era isso algo normal. Orientei-lhe a aguardar uma explosão próxima àquele local para sair e retornar a nos ajudar. Mas não foi com ousadia ou determinação que fiz tudo isso. Eu, na verdade, agi como uma fêmea cuidando de seus filhotes, como me era visto em desenhos sempre, onde elas saem correndo feito loucas a modo de salvar seus pequeninos, de forma totalmente inútil e inconseqüente. Para despistar levemente, dei algumas voltas incrivelmente rápidas na ilha. E ainda, para se ter idéia, o fiz demonstrando naqueles sinais clássicos o meu sono. Era algo deprimente. Tendo o feito, retornei com Silu, que também prosseguia fugindo como eu. Reencontramo-nos novamente ao deserto. Nesse momento, antes que eu pudesse sugerir a Silu minhas mirabolantes babaquices, os caros gigantes retomaram o combate, um em cada. Para nossa vantagem, os dois agora voavam.

Então, fomos nos desviando, como insetos, mas calculando muito bem nossos movimentos. Até que então consegui reunir-me novamente com ele. Assim, usufrui de seus dotes materializadores. Contei-me exatamente o que queria, pois, eu. Nossos movimentos eram muito frios, muito velozes, com leves rascunhos de ataques, que não os causava um dano expressivo, mas era útil. Sim, útil. Até que então me aproximei dele e recebi o resultado de sua materialização. Rapidamente, calcei-me das luvas ligadas a uma espécie de espada, cuja outra ponta Silu segurava. Eram luvas de metal que estavam posicionadas como se segurassem a lâmina. Era uma espada gigantesca, pouco maior que o diâmetro do pescoço do gigante, feita do material mais resistente, afiada da forma mais conveniente. Era o Silu, ele tinha o que ele quisesse. Tentaríamos cortar nosso caro gigante, mas era necessário grande impulso par que houvesse a garantia da efetividade do golpe. Uma vez que sou apenas um fraco que não resistiria com a espada em mãos a tal impacto, foi feita essa luva, ligada à espada, para que eu tivesse tal garantia. Sem que os gigantes vissem a tal arma, subi com Silu a alturas muito exorbitantes. De início, os gigantes apenas ameaçaram acompanhar-nos, mas subimos realmente muito rápido e de forma imprevisível, demoraria muito para nos alcançarem e, além disso, em dado momento precisaríamos descer. Quando a espera já não era mais suportável, um deles iniciou a respectiva caçada. Tendo visto isso, descemos nós, alternando nossa direção para causar certo despreparo no oponente. Ao aproximarmo-nos dele, direcionei-me para trás de Silu, para disfarçar a existência da espada. Silu posicionava sua mão direita como se fosse lançar algum poder, mas quando chegamos a ele alteramos nossa direção, Silu direcionou-se levemente à direita e eu apareci à esquerda, acertando com a espada em seu pescoço e assim cortando-o. Estávamos, de fato, em uma velocidade altíssima para que conseguíssemos chegar até o gigante e ainda ter um ataque efetivo Foi um impacto quase desastroso, por pouco resisti com sucesso em sua conclusão. Nesse momento, um dos gigantes foi destruído. Joguei então leve ataque próximo à porta do esconderijo. Agora vem o segundo gigante.


52. Rotina

07/09/2011

Então, após concluirmos a luta, como bem vos disse, retornei à minha vida, simulei meu despertar e então prossegui minha viagem. Na verdade, esta e também a própria aula era coisas incrivelmente difíceis de imaginar-se, uma vez que eu estava, esclareçamos, em meio a uma guerra terrível e aterrorizante. Permanecia então eu em fixo pensamento de como eu faria para permanecer lutando, guardando meu mundo em meio a tantas pessoas em minha escola. Encerro então agora essa idiotíssima tentativa de ser um grande bobalhão. Claro que contarei como a luta se concluiu. Foi uma ótima luta. Caso tenha agradado-se do fato de eu não descrever a batalha, pule esse ou ainda outro capítulo. Espero terminar esta história neste, mas há a possibilidade de eu aprofundar-me muito em minhas digressões, como sempre, estendendo em mais um capítulo a história. Aliás, não entendo o porquê de eu simplesmente não apagar estas tantas digressões com o intuito de logo contar a história. Pois, assim, logicamente, eu deixaria de contar quem sou e conto histórias. Creio que estas sejam muito mais legais do que o objetivo de contá-las para, de repente, dizer quem sou. Isso é, na verdade, desinteressante. Não sei por que dei início a isso. Prossigamos.

Entrei no mundo, vi grande parte das regiões verde e azul em pedaços. Agora, pensem em um hexágono. Não sei por que carambolas nunca teria, pois, eu, descrito a bendita da Ilha por um hexágono posto sobre um círculo. Não sei termos matemáticos. Até por isso eu estudo a linguagem e não os números. Acho que deva ser algo como “sobreposto”. Ótimo. Agora imaginem o hexágono é dividido em seis triângulos. Cada um deles representa uma das regiões. Em específico, a azul e a verde são exatamente opostas dentro do hexágono. Caso não tenha situado-se, volte ao início do livro e tente construir a imagem da ilha em sua mente. Creio que não deva ter feito isso até agora, crendo que era algo irrelevante. De fato, creio que ajude a formular as cenas de combate, caso goste delas. Aliás, não sei o que, de repente, me encravou à mente que as pessoas não gostam dos detalhes das lutas, ou que elas não querem ter a noção da profundidade da emoção do momento. Acho que deva ser muito profundo. Na verdade, acho que não devo achar nada. Esqueço-me e torno a efetuar meus extensos relatos. Pois bem, eu cheguei e os lindos gigantes tinham destruído duas regiões de meu mundo. Não se faz isso com as pessoas. Ao ver a situação de meu mundo, fiquei incrivelmente desesperado, não só por ver meu mundo aos pedaços – isso era aceitável, meu mundo poderia ser consertado – mas por começar a identificar como muito provável a idéia de que meus amigos estariam mortos. É certo de que, quando se sabe que seu mundo está sendo gradativamente destruído e havia dois amigos seus tomando conta para que isso não ocorresse, você logicamente já liga os fatos para a morte deles. Eu entrei em profunda agonia, não suportava a idéia, permaneci imóvel por alguns segundos, querendo explodir-me internamente, despedaçar minha mente por completo em busca de memórias para tentar materializá-las e trazê-los de volta. Sério, dentro de alguns segundos eu realmente pensei nisso.

Entretanto, enquanto os dois gigantes me identificavam e preparavam-se para me atacar, sem muita pressa, vi algo como um arco luminoso cortando verticalmente o céu, tendo ele vindo da floresta. Foi quando notei que os gigantes, até que me encontrassem, permaneciam destruindo ardentemente as regiões verde e azul. Notei, então, que eles estavam em busca de meus amigos, que fugiam por aqueles lugares. O raio era um golpe de Silu, que notara minha presença e tentava me avisar de que ainda estava vivo e, logicamente, precisando de ajuda.

Ao ver minha impossibilidade de concluir o restante da luta nesse capítulo, descreverei então o que me contaram Jumi e Silu sobre o que ocorreu enquanto estive fora. Ao ter, pois, eu, caído desmaiado, como é procedimento padrão do mundo, desapareci no mesmo instante. Então, eles logo amedrontaram-se, permaneceram por alguns momentos lutando, ou fingindo, apenas ganhando tempo, aguardando minha volta. Fico incrivelmente frustrado por ter feito meus amigos realmente me aguardarem tanto tempo. Após um tempo de aguardo, eles compreenderam que eu não voltaria até, de fato, acordar. Eles começaram a esquivar-se dos gigantes, até que Silu, de forma genial, presumo, conseguiu trazer a atenção dos dois por um momento, enquanto dava voltas ao topo da montanha. Ele estava voando com grande velocidade, segundo ele. Nesse período Jumi, ao que entendi, entrou na floresta divisória entre azul e o deserto e, para confundir seus adversários, escondeu-se em um buraco que lá tinha feito há muito tempo, nem lembro-me para quê. Então Silu também conseguiu fugir e esconder-se, segundo ele na floresta, próximo de sua natural habitação naquele mundo. Após algum tempo de aguardo, foram encontrados e lutavam esquivando-se. Ao que me parece, também, eles teriam ficado realmente muito tempo esquivando-se, com alguns ataques que não foram muito efetivos. Creio que seja algo próximo a isso. Conto então como se procedeu a luta após meu retorno.