58. Reagrupando

24/10/2011

Minha vida era tão vazia, eu não sabia do grande amor que me transbordava. Sim, torno a buscar um rascunho da possibilidade de me fazer claro: eu não me julgava em condições de descrever o trecho anterior da história da forma com que eu gostaria que ela fosse contada. Na verdade, eu poderia contar do meu jeito, é até, na verdade, o objetivo do livro, utilizar-me de minhas expressões espontâneas para demonstrar quem realmente sou, através das histórias, do jeito de contar, pensar e me comunicar. Seria ótimo para o quadro anterior, mas para que eu contasse, eu não saberia esquivar-me de detalhes que eu não estaria disposto a compartilhar. Então, localizei outrem que, visualizando a cena sob outro ponto de vista, proveniente de outro contexto, que pudesse narrar tal parte para mim. Creio que possa isso se repetir. Concluo o momento esclarecedor.

Passo a relatar a seqüência do combate. O que pude notar, como creio que já perceberam, é que, após conseguir finalmente um golpe efetivo contra aquela belíssima jovem que ali se encontrava em conflito contra mim, que iniciou, então, uma grande queda em direção à sua falência, eu a perseguia, para tentar lhe proferir último ataque, e assim acabar de vez com ela. Não estaria eu à visita. E neste movimento de perseguição, focava meu olhar com toda a concentração na garota, quando outro dos inimigos veio em minha horizontal com imensa velocidade, acertando-me as costelas. Cria eu que ele permaneceria ardentemente em minha direção, assim como eu fazia com sua companheira, mas ele me ignorou indo em direção dela. Fiquei durante muitos segundos deixando de me concentrar na dor do golpe e da minha queda para pensar o porque daqueles seres sem alma procederem de tal forma. Não me fez sentido. Enfim, recobrei meu amor à vida e tornei a voar, pensando na batalha. Junto ao amor me veio a dor, eu parecia ter, de certo, me ferido imensamente. Era inimaginável o quanto aquilo parecia ter me tirado a expectativa de prosseguir. Eu não sabia para onde ir após tal golpe. Consegui concentrar os mais extravagantes litros de drama junto aos poucos segundos em que consegui me acostumar com a dor e retornar ao combate.

Dirigi-me ao núcleo de combate que me parecia mais arriscado. Tendo em vista que nenhum deles teria se preocupado com meu breve momento de tormento, tínhamos dois lutando com Jumi, dois lutando com Silu, um morto e os dois últimos com quem teria eu lutado estavam ao chão, a garota aos braços do rapaz, de joelhos amparando-a. Confesso que aquela situação me pareceu bastante peculiar e, de certa forma, para mim, irritante.

Com isso, fui rapidamente auxiliar Silu, que, ao que pude ver, optara por não voar, ou algo do tipo. Em um rápido movimento, como num chute no qual eu teria pego, acredite, relevante distância, atingi um daqueles. Este, por sinal, estava na eminência de alcançar um ataque em Silu, desprevenido. Por bastante pouco ele desviou quase que totalmente, tendo então meu chute atingido seu ombro esquerdo, que sustentava o braço do ataque, já me coloquei em sua frente, encarando-o. Para mim tudo seria ótimo, iniciaria mais uma batalha, ainda que com aquele bom e velho resquício de dor, proveniente do violento ataque que há pouco recebia, mas com o inimigo também debilitado. O que tive, na verdade, foi um oponente que me ignorou, a princípio, voltando-se novamente a Silu. Eu já me confundia com tal atitude, mas ele pareceu desistir da desistência, virou-se para mim e emitiu um ataque bastante significativo, que vinha como uma bola de energia, algo que já me era comum. Eu apenas não estava em guarda para receber, fui atingido grosseiramente, caindo alguns metros para trás. Assim, o tratante teve um pouco mais de tempo para concentrar seus ataques em Silu. Preciso de mais espaço.

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57. Espantosamente épica

19/10/2011

Espantosa, eis o termo que melhor descreve a cena que se via. Uma batalha materializava-se naquele lugar, que já preparava-se para tal confronto. Toda essa luta iniciou-se a partir de uma tentativa de fuga de um dos componentes do grupo, mal sabia o rapaz que aquele ligeiro salto daria início àquele combate épico. Sim, ele sabia, mas não imaginou que ocorresse em tão exorbitante velocidade. Já coberto de energia, o rapaz saltou entre dois do grupo que formava a roda em volta dos três, ferindo-os de raspão. Depois do tal movimento, só o que se pode ver foram golpes de um lado e do outro, jatos de energia propagavam-se por todo o ambiente. O personagem que incitou a fúria de seus inimigos logo conjurou um escudo energicamente constituído, literalmente falando. Ora, aquele parecia ser um combate difícil, mas o rapaz lutava com afinco, unindo todas as suas forças em favor de seu grupo, por mais invencíveis que aqueles seres do mal parecessem ser.

As estratégias de combate dos grupos eram distintas, logo se percebia que os bonzinhos buscavam acabar logo com a luta, pois não tinham condições de permanecerem tanto tempo em combate. Apesar de apresentar uma terrível expressão de sono, confusão e ansiedade, o líder do lado bom dera uma bela investida contra os seus oponentes, em seus olhos podia-se ver o empenho em manter seus amigos a salvo e depois de algum tempo de luta, sua expressão mudara para algo como: “eu pensava em apenas me defender, mas agora é uma questão de honra destruí-los”.

De repente, a figura voou, mas qual não foi a infeliz surpresa de nosso amigo, quando percebeu que seus inimigos também voavam! Todos voavam, mas que coisa! O que torna essa luta ainda mais intensa e impressionante. O choque é ainda maior agora, conto-lhes que moças faziam parte do lado negro, moças que pareciam tão delicadas, mas engana-se quem pensa que as mulheres não são poderosas guerreiras, quando querem, podem provocar grande estrago e a jovem que correu atrás do nosso herói é um belo exemplo do que digo. Eis que ambos lançaram-se a um duelo particular, e o que se viu a partir daí foram cenas intensas, ligeiros movimentos de ambos os lados, ataques por parte da furiosa guerreira, o nosso protagonista conseguiu desviar-se e em um golpe de sorte, conseguiu atirar energia nas costas da combatente. E que técnica foi aquela! Um movimento que envolveu mudanças severas de direção,formavam na verdade, um grande “V”, para trás e… era muito rápida a desenvoltura do golpe! E não era para menos, a técnica deu certo! A jovem guerreira foi atirada ao chão e pode-se ouvir o estrépito da sua queda, ao meu ver… aquilo fora fatal! Entretanto, não fora tão efetiva, aquela garota permanecia ativa para prosseguir o combate. Isso fazia com que permanecesse alto o risco com seus amigos. A amizade era algo precioso para o nosso herói.

Quanto aos seus amigos? Mas é claro que também combatiam com garra, executavam movimentos incríveis e creio que contavam com mais sorte do que o protagonista. O ser de pernas curiosamente longas desempenhou uma técnica esplêndida, suas pernas o ajudaram a entrelaçar a destra de seu oponente de modo a enfiar-lhe (quase que literalmente) no chão. Jumi deveria ser um exímio guerreiro, pois aquela cena foi sem sombra de dúvidas a mais fantástica de toda aquela guerra. Coisa que não se vê muito por aí, entre tantos combates.

Havia outra garota, percebam o quanto a ala feminina é subestimada, não julgue pelas aparências! A beleza da guerreira era algo que chamava atenção, podia-se perceber através das atitudes do herói da história, mas é o que acabei de comentar, a beleza às vezes pode ser uma arma, a aparência pode ser enganadora. A garota em questão, no entanto, permanecia pensativa observando toda a cena. Mas, em um instante, a jovem partiu para uma perseguição abrupta atrás de nosso herói. O confronto começou, Fabinho logo muniu-se de seu escudo e a luta seguiu-se com golpes desferidos por ambos os lados. O páreo estava difícil, mas por que raios assim ocorria? Era como se os dois tivessem feito um acordo justo para ficarem de igual para igual. A moça em questão diferia-se em muito de sua companheira, ela não estava utilizando ódio para canalizar seus golpes. A jovem preferia explorar sua elasticidade, utilizando suas articulações poderosas para atacar seu oponente. No entanto, de longe, a sua amiga lutara com maior desempenho. Fabinho ainda usava seus golpes físicos apenas como uma projeção para os raios que lançavam, fazendo com que de seus socos e chutes saíssem os ataques em energia.

Curiosa era a expressão da combatente, seus olhos pareciam discordar de suas atitudes, mas isso não a impediu de prosseguir com a luta. Nosso protagonista talvez tenha sido seduzido pela aparência da jovem, ainda que esta não fosse humana, pois às vezes parecia encontrar-se em estado de contemplação. Obviamente deixou que a tolice o dominasse, e assim que desferiu um golpe no ventre da moça, o que a despertou, pequeno trecho de distração foi suficiente para um belo chute em seu queixo, foi o presente que ela lhe deu. Arrisco a dizer que não tratava-se apenas de um combate físico, mas também um combate mental! Assim que recebeu o tal chute, Fabinho prosseguiu com o movimento atribuído pelo mesmo, isto é, iniciou um movimento para trás, com eixo em sua cintura. A divina guerreira permanecia ao combate, iria aproveitar-se do momento em que ele chegaria à posição horizontal para introduzir-lhe novo chute, com toda sua energia acumulada, logo em suas costas. Seria um ataque, digamos, muito efetivo. Entretanto, logo que ele chegou a tal posição, reconhecendo o perigo, iniciou mais um detalhe de seu vôo, exatamente para sua frente, ou seja, uma subida imediata. Tendo ganho certa altura, Fabinho iniciou sua investida. Nosso protagonista, de súbito, aplicou um golpe na guerreira que foi realmente incrível. De fato, a jovem caiu, voou, ferida em demasia, e por pouco não explodiu. Impressionante, não digo que foi impressionante o fato de ela não ter explodido (sim, isso também, mas falo de outra coisa), impressionante foi a coragem de Fabinho em fazer tal coisa com a moça. Seria muita ingenuidade pensar que ele não receberia uma lição por isso.

Nosso herói, enquanto corria na direção da garota para concretizar seu ataque e finalizar aquela batalha particular, recebeu de outro inimigo uma bela pancada, digna de aplausos. E quando pensamos que ali estaria o derradeiro suspiro do mesmo, nos vemos diante do abandono do corpo ferido dele, seu oponente fugiu para o outro extremo do lugar em busca da jovem moça que voava, rumo à uma queda mortal, ocasionada por àquele que caía ainda com vida ao chão. O que se seguiu… Espantosa, disse-lhes, a luta foi realmente espantosa.

T.T.Y