74. Cenário

Como raios que partem as almas, a noite caiu. Não como cai uma noite qualquer, até porque não há noite na Fabilândia. O que ocorre é que aquela força na qual comentei no capítulo sobre o momento em que olhei a região Preta começou a sugar demais as coisas. Na verdade, nem me lembro se, em todas as vezes que mencionei as regiões, marquei seus nomes com letra maiúscula. É, a princípio, o correto, uma vez que as cores são seus nomes, e os substantivos próprios devem ser iniciados por letra maiúscula. Sem desvirtuar, era uma massa de energia que parecia atrair o restante das energias ruins daquele lugar, em busca de fortalecimento. Isso provocava movimento muito grande e veloz de objetos daquela região que possuem massa. Essa movimentação era tão intensa que interferia em toda ilha, com aqueles ventos, anteriormente mencionados também. Entretanto, isso começou a crescer de uma forma tão exorbitante que era como se a as coisas não estivesse mais ali, movimentando-se e tornando ao local apenas à velocidade que conseguíamos ver, mas sem estarem fisicamente ali. Um dia convocarei alguém que saiba explicar tal situação. Em vídeo. Eu realmente não tenho ideia de como explicar o que acontecia, só sei que as coisas eram atraídas para aquele buraco negro do mal, provocavam uma movimentação de ar tão imensa que movia o restante do mundo. No final, isso acabava provocando algo como uma escuridão falsa. Logo, noite.
Como se não bastasse, a areia se movimentava fortemente, ocasionando, de certo modo, uma linda nuvem de poeira. Mas ela não estava à altura dos olhos, estava um pouco acima, de uma forma estranha. Era como uma nuvem. Isto é, não entendo como e nem o que acrescentava, mas era como se, ao invés de fazer isso apenas para seu fortalecimento, o monstro estivesse buscando uma forma de criar um cenário apropriado para a luta. No momento, eu apenas possuía medo. Medo é algo interessante para se comentar.
Meu mundo possui a estranha temática que é a de mudar a potência de meus inimigos através de minhas emoções ruins, diante de certa moral que adquiri ao longo do tempo. Em geral, ira, orgulho, inveja, mentira, medo, entre outros desse tipo, daqueles que os vilões de desenhos possuem. Isso poderia ser muito discorrido pelos meus textos, mas não é. E não porque busco omitir tais assuntos. Eu simplesmente não desenvolvi isso no meu mundo. Em algumas vezes até lembrava disso, mas nunca trabalhei com esse tipo de controle. Se vinha um monstro e eu me irritava, eu simplesmente batia com mais força. Sempre foi assim. Como jogar um jogo de luta e não utilizar a defesa, uma vez que se ataca com tanto vigor que nem se lembra desse ponto. No caso, era como se eu lutasse com algo que recuperasse os pontos de vida do oponente, eu logicamente me preocupava com minha defesa. Mas eu me mantinha amedrontado, sem pensar no mal que isso fazia ao meu desempenho, deixando meu oponente mais forte. Isso era tolice, sempre foi. Mas hoje eu sou quase invencível, sendo ainda modesto no receio de provocar algum mal a mim futuramente.
Por fim, ocorre que hoje, ao escrever isso que tem sido lido, reparei numa Lua linda brilhando à janela. Esta nunca permanece aberta, praticamente. Ocasionalmente, recebi a visita de minha mãe ao meu quarto abrindo-a. Leva-me a uma última reflexão, sobre o que eu perco lá durante minhas noites. O mundo aqui é tão lindo como lá, mas dotado de outras circunstâncias que fogem muito ao meu controle. Entretanto, nunca me dei conta do quanto as coisas podem me fugir do controle também no meu mundo. Pois bem, muito há a se perder ainda nessa história.

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