95. Tudo se encaixando

Alguns dias após isso, as coisas estavam mudando. Iniciei minha saga na faculdade, era tudo novo. Era a primeira semana. As músicas que eu ouvia eram legais, as músicas que eu tocava eram legais, eu estava empolgado com um novo acampamento que viria em ocasião do carnaval. Enfim, era um bom momento. Daquela minha primeira semana de aula eu não pude aproveitar tanto, uma vez que o carnaval estava se aproximando. Por não ser da primeira lista de chamada, eu comecei a assistir as aulas a partir da segunda semana, numa terça. Era um mundo muito novo, muito novo mesmo.

Foi ali, naquele meio, que eu comecei a entender o valor da linguagem. Curso a licenciatura em Letras, curso que tem a finalidade de formar professores de português. Durante boa parte de minha vida eu tive péssimas professoras de português, que me faziam acreditar que eu não possuía identificação nenhuma com a matéria. Meu curso escolhido não tinha nada a ver com isso, tinha a ver com mídia, criação. Era isso o que eu queria. Entretanto, em algum fundo de minha alma, eu percebi que, durante as aulas que me eram ministradas, eu sentia a necessidade de executá-las de outros jeito, em qualquer matéria que fosse. No cursinho eu tive professores de português incríveis, que me fizeram realmente achar a matéria um pouco mais interessante. Logo percebi que tinha facilidade para com a redação (espero que ela faça algum sentido após tantas páginas) e com algumas propriedades gramaticais. Interessava-me muito pela literatura, até por ter um professor que fazia com que eu ficasse a semana inteira esperando por sua aula. Meu pai, numa bela noite de alguma lua, me fez colocar como segunda opção o curso de letras, pensando em alguma possibilidade de tradução ou coisa do tipo. Detesto tradução e sou péssimo com línguas estrangeiras, mas fiz bem em ouvi-lo.

Sem perceber, eu me via apaixonado pela linguagem, totalmente inserido em meu curso e determinado a lecionar. Essas ideias me vieram depois, a afeição pelo curso também, mas acho interessante coloca-las aqui. Na verdade, o grande fato aconteceu no dia que corresponde à minha segunda aula. Mas eu queria deixar constar que, após grande depressão em minha vida, eu finalmente estava vendo as coisas de um jeito bom, assim como vejo hoje, no momento em que escrevo. Meus sonhos têm se realizado, sou um contente professor de português em um cursinho que me enche de alegria. Naquele momento eu estava feliz, a ira já se fora e tudo se encaixava, até mesmo as coisas que eu não sabia que se encaixariam. Eu jamais imaginei que um dia eu estivesse na posição de professor de português, me imaginava em profissões totalmente diferentes, mas, na primeira vez que entrei em uma sala de aula, fiquei pensando: “Qual foi o motivo que me fez pensar em fazer outra coisa? Fabinho é isso!”.

Tudo se encaixava. Exceto por uma coisa. Uma coisa terrível. Nunca soube o que levou essa coisa terrível aos meus pensamentos. Nem sei bem como ela vinha, mas alguma coisa me alertava de que nem tudo estaria na mais perfeita paz. Não era nada, apenas uma sensação estranha. Eu procurei em tudo pra tentar identificar o que poderia ser. Mas nada fazia sentido.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: