93. Descuidado

18/08/2012

Nada me parece tão terrível quanto se deixar de cuidar daquilo que ama. Eu já estava sofrendo por ter sido idiota o suficiente para fazer isso anteriormente e, com isso, sem notar, o fiz também com meu mundo. Cheguei a ficar alguns dias sem dar satisfação para meus amigos. Quando eu chegava lá, eles faziam meu dia dar um salto incrível de alegria. Eles me animavam de uma forma absurda. Ainda assim, eu estava um tanto quanto irritado com a vida. Quisera eu que ela fosse como meu mundo. Bom, meus amigos eram muito poderosos. Sem mim eles venciam batalhas constantemente. Até por isso eu desenvolvi um sistema para que, quando eles não estivessem obtendo o êxito em uma luta, qualquer que fosse, eles pudessem me chamar para ajuda-los. Também havia um sistema para que eu, ainda nesse mundo, pudesse ver o que se passava por lá.

A vida me dava pontapés de pura tristeza. Coisas boas estavam acontecendo, eu conheci novos amigos, gente agradável, mas havia dores com as quais eu não estava acostumado. Não na perspectiva de mundo que eu estava naquela época. Então eu fui a um acampamento, onde eu me senti amado com muita força por gente que eu nem conhecia. Fez bem, guardo uma amizade linda de lá até hoje. Comecei a me sentir mal por não reconhecer direito o bem que me ocorria e dar valor só ao mal. Na semana seguinte eu recebi a notícia de minha aprovação no vestibular, em outra chamada. Foi bom para me acalmar.

Cheguei ao meu mundo, contei e vi a reação mais linda que poderia existir ao meu sucesso. Meus dois amigos que estavam lá começaram a chorar e me abraçaram muito forte, até perdendo o fôlego. Era tão lindo, tão lindo, nem consegui imaginar. Eu parecia estar melhor. Eu poderia garantir que, a partir de então, minha vida seria diferente. Aquelas reações estavam me tirando toda solidão e toda a mania de ver mais as coisas ruins do que as boas.

Até que apareceu um monstro. Ele não parecia forte, mas tinha um ataque um tanto quanto perigoso, cortante. Dane-se o nome dele. Ele estava tinha a forma de um dinossauro voador qualquer, mas com uma afiada lâmina em suas asas. Deixei que viesse em minha direção, estava tudo bem. Entretanto, num momento de idiotice absoluta de Tito, ele se atirou em minha frente, me livrando do contato com o monstro, mas arranhando um pouco de sua face. Encarei-o nos olhos por alguns segundos que pareceram décadas, incrivelmente enfurecido pelo que acabara de fazer. O monstro já vinha novamente em minha direção, eu podia ouvir. Apenas estiquei minha mão e o destruí, sem nem olhar sua expressão de dor. Apenas olhei para ele quando estava prestes a se desfragmentar. Tendo isso acabado, eu olhei novamente para Tito. Estávamos os dois ao céu, numa boa altitude, e eu precisava de uma boa razão para ele ter feito isso.

Descemos e ele começou a falar. Falou que o fez para me proteger. Bom, se ele dissesse que pretendia proteger o monstro eu até entenderia, talvez fosse um mal-entendido ou qualquer coisa, mas me proteger foi a coisa mais idiota que eu poderia pensar. Eu era invulnerável, na verdade eu tenho o poder de anular o a força de reação de qualquer ação feita em mim. Nada iria me acontecer, nada. Aquela lâmina jamais iria me cortar, a não ser que eu não estivesse com o poder acionado, mas houve muito tempo para que isso já fosse feito. Ele me disse que me olhou nos olhos e percebeu que eu pensei em me matar. Mas como? Como? Como aquele idiota pensou que eu fosse querer me matar e acabar com tudo? Que tipo de drogas ele tem usado? Não faz o menor sentido. Eu acabara de encontrar um novo motivo para viver, uma nova alegria, motivação. De onde ele tirou a ideia de que eu estaria interessado em me matar?

É claro que eu pensei nisso. Pensei bem pouquinho, mas eu amo meus amigos, amo meus pais, minha irmãzinha, e não sei o que pode acontecer se eu morrer naquele mundo. É claro que eu pensei. Por mais que eu tivesse um novo motivo para sorrir, eu acabara de encontrar um jeito para não mais enfrentar meus problemas, mas eu não podia, eu não tinha coragem. Ele olhou meus olhos e percebeu, mas eu não queria admitir uma coisa dessas.

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92. Motivações

17/08/2012

As últimas cenas do livro estão chegando, e elas foram motivadas por algumas últimas circunstâncias a serem ditas. A data da prova da segunda fase se aproximava. O namoro já havia acabado, mas ela era, além de minha namorada, minha melhor amiga e, pelo menos por volta daqueles momentos, aquilo não teria acabado. Foi ela que me ajudou na hora em que eu precisava de um consolo por ocasião do fim do namoro. Mantivemos muito forte o contato e, por algum momento, ela deu sinais de querer apaixonar-se novamente. Isso me deixou confuso; a prova seria no domingo e isso ocorreria na quarta. Ela mencionou estar confusa e me traria uma resposta na quinta à noite.

Enquanto isso, uma garota que enrolara-se comigo alguns bons anos antes retomou comigo o contato, mencionando que também prestaria a prova para a segunda fase. Ela foi a garota mais bela que já se interessara por mim, realmente. Entretanto, ela possuía algumas dificuldades com química. Eu também possuo, mas estava em condições de ajuda-la. Marcamos de nos encontrar na quinta à tarde para que eu lhe ensinasse algumas coisas antes de minha aula. Eu jurava que ela tinha namorado. Em dado momento, estando nós bastante juntos na finalidade de observar o caderno, acabamos por nos beijar. Super-realidade essa que vivo. O estudo ganhou segundo plano naquela tarde, tarde do dia em que, à noite, eu saberia se a garota que eu, supostamente, amava, voltara a me amar. Para minha sorte (ou não), ela não voltou, mas tinha grande afeto por mim.

Com isso, eu comentei, levemente, por algum motivo idiota, que o fato de ela voltar para mim me motivaria bastante na execução daquelas provas que eu teria que fazer para o vestibular. Ela, no exato momento em que eu lhe disse isso, manifestou-se, de uma maneira que deixou muito clara a não verdade da declaração, dizendo que acabara de voltar a me amar e que precisava de mim para viver. Eu, claramente entendendo sua ideia, aderi à sua ideia e começamos, de forma bem esclarecida, a namorar novamente, até que se encerrasse o vestibular. Pra mim foi um sonho, ela me ligava logo antes de eu fazer as provas em cada dia, era lindo, mesmo eu sabendo que era mentira. Entretanto, de segunda para terça, que seria o último dia de prova, ela começou a se declarar de uma forma que eu, mesmo sabendo que era mentira, acreditei realmente nela. Ela parecia ter desfrutado disso pra se apaixonar novamente, juro que parecia verdade.

Bom, naquela terça, último dia de prova, reencontrei a garota da química e, assim, o lance desenrolou-se novamente. Ou seja, era tudo mentira de ambas as partes, era besteira. Era fofo, era agradável, mas era besteira, machucava mais. Terminamos, como combinado, logo quando cheguei em casa, ao fim da prova e dos carinhos com a garota da química. Foi até engraçado, foi algo bem bonitinho de amigos. Depois disso, eu presenciei seu distanciamento aos poucos, até nunca mais ter falado com ela.

Isso tudo foi acumulando decepções e tudo mais. As provas que fizeram estava mais difícil do que ser veterinário de elefante, logo depois eu tive a notícia de não ter passado. Por mais que depois eu tenha conseguido uma vaga na minha segunda opção que se tornou um curso que eu adoro, naquele momento eu estava em sérios apuros. Hoje, no quarto semestre de faculdade, eu ainda penso naquela época com terrível dor, me lembrando de tudo o que ocorria com a mais profunda nitidez. Foram as escolhas erradas feitas nos momentos errados. Era eu preparando uma armadilha para mim mesmo. Sorte que hoje a única parte do meu corpo que dói é a lembrança.


91. Muralhas

16/08/2012

Creio que contar toda a imensa jornada de amor que tivemos seja assunto, talvez, para outros livros. Há, no caso, três condições adversas dessa jornada, apenas para contextualizar a carreira emocional que me foi proposta alguns momentos depois.

Primeiramente, reforço que eu já começava a gostar da garota dias antes da prova que fiz no dia em que soube dos sentimentos dela. Entretanto, algumas coisas estranhas acontecem normalmente. Certo dia, voltando de uma aula que tive, deparei-me com uma jovem no ônibus. Ela não alcançava o máximo da beleza terrestre, mas era uma jovem encantadora. Quando eu estava próximo ao cobrador, ela levantou-se e fez uma pergunta a ele. Aquele jeitinho de falar umas duas frases foi suficiente. Alguma coisa aconteceu naquele exato momento. Alguma coisa muito diferente do que eu estava acostumado. Sentei-me ao seu lado, só que com um corredor entre nós. Olhei-a algumas vezes. Ela retribuiu olhares. Era uma boa chance, solteiro eu era. Ela desceria da condução um pouco depois de meu ponto, eu poderia muito bem acompanha-la. Não o fiz. Idiotamente, não tive a coragem de pensar nisso. Quando saída do ônibus, encarei-a novamente, e ela também não desgrudou os olhos de mim. Ali eu soube que perdi a chance de minha vida.

Entretanto, o mundo dá voltas. Fui ao local onde seria a prova. Era bem longe de minha casa e eu, muito cuidadoso, cheguei bem antes de seu início. Lá, pouco antes de começar a prova, passando por mim, linda e um pouco esbaforidamente, estava a garota do ônibus. Foi incrível; nós dois, surpresos, nos demos oi, sem saber o que fazer. Separamo-nos, em direção às diferentes salas onde faríamos a prova. Com isso, fiz a prova, recebi a mensagem de minha desejada que estava a quilômetros dali e me dirigi à saída. Estando ao portão de entrada, reencontrei a garota. Ela me olhou e começou a se distanciar de mim, com o olhar fixo. Eu poderia ter saído correndo em sua direção. Poderia. Alguma coisa me segurou, talvez a expectativa da conversa com quem estava longe. Até porque, pra que alguém que esteja perto, não acham? É muito mais agradável não poder tocar em quem ama. Pois bem, vivo, até hoje, na dor de saber que eu posso ter perdido o amor da minha vida. Hoje já não há mais o que fazer.

Nem uma semana após o início do namoro, me deparei com outra situação adversa. Antes do namoro, eu via uma jovem, de estilo totalmente voltado ao rock e um lindo cabelo pintado de vermelho, que ficava indo de um lado a outro do cursinho. Ela me encantava com aquele estilo todo. Então, no momento citado, começamos a conversar. Ficamos conversando bastante, resolvendo alguns exercícios juntos, sem haver, de fato, um duplo sentido nisso. Estávamos estudando. Mas ela parecia querer deixar os estudos de lado. Desespero total em minha vida, a primeira oportunidade de trair alguém que já tivera. Eu, é claro, não queria isso. Desesperado, comecei a falar de minha namorada e como ela é linda e como eu a amava. Assim, evitei totalmente qualquer ação que ela pudesse tentar na finalidade de me possuir naquele momento. Isso pode parecer fofo e legal, mas, na verdade, me é bastante complicado. Não que eu aprove traições. Elas são o que mais doem nessa vida. Mas, o que ocorre é que, após pouco mais de um mês de namoro, aquela linda resolveu terminar comigo. Naturalmente, acho normal. Só que, na verdade, eu gostava muito dela, e hoje, penso que foi um tanto quanto inútil ter gostado tanto de uma pessoa em quem eu nunca nem relei. É um tanto quanto doloroso. O que é mais complicado é saber que, se eu não tivesse assumido um compromisso que hoje vejo que foi desnecessário, eu poderia ter encontrado amores muito maiores, talvez.

Bom, infelizmente, antes de o namoro começar, eu tinha um quase namoro que era com uma garota com que eu pouco me encontrava, mas tínhamos quase o compromisso de ficarmos naquele namorico quando nos víssemos. Essa moça me dava sinais de estar gostando de mim cada vez mais e, quando eu comecei a namorar outra moça, fiquei realmente muito temeroso quanto aos sentimentos daquela que já me aturava desde antigamente. Aliás, eu estava naquela tensão de pré-vestibular e, ainda por cima, tinha uma incrível carência por namorar alguém que não estava comigo. Encontrei com a mocinha e, assim, eu me entreguei aos seus abraços. Eu estava decidido a não trair minha namorada, mas, após desviar de alguns beijos, acabei deixando que acontecesse. Não estou buscando justificativa para isso, apenas explicando o que talvez tenha passado em minha mente para que isso ocorresse. O que aprendi é que, para quem tem coração e se importa com as pessoas, como é meu caso, trair alguém que ama é uma das piores coisas que podem haver no mundo. Dói muito, me arrependo muito disso.

Pois bem, finalmente, a relação que iniciou por me trazer uma alegria imensa e incrível para mim me levou às tristezas mais conflitantes que eu já tivera. Isso trouxe consequências bastante complicadas.


90. Viagem

14/08/2012

Quilômetros de distância separavam aqueles dois jovens, ela um tanto quanto mais nova do que eu, na verdade. Há duas coisas que atraem o Fabinho: oratória e canelas grossas. As canelas grossas, entendam, não é voluntário, eu nem sei o porquê disso; apenas começo a gostar de alguém e, quando olho para baixo, percebo que esse alguém tem canelas grossas. Elas não influenciaram em nada na minha decisão involuntária de gostar ou não da pessoa; as pessoas que possuem todas as características necessárias para que eu me apaixone por elas têm, também, canelas grossas. Não entendo como isso funciona, apenas ocorre, convivo com isso. Entretanto, quanto à oratória, é impressionante. Basta ouvir a pessoa falando com uma dicção bem articulada e utilizando-se dos termos certos na hora certa que eu fico encantado. No caso, não ouvia tanto a voz dela, nos comunicávamos, em grande parte, através de mensagens instantâneas na internet. Era o suficiente. O jeito que ela escrevia, o jeito como se comunicava, as reações eram tão fofas, acabei por adorar aquela jovem.
Antes que ela demonstrasse qualquer reciprocidade, eu já me sentia mais feliz por ter conhecido alguém legal que me fizesse tão bem. Fiz boas amigas no cursinho, amigas que valorizo até hoje, mas ela foi especial. Motivei-me nos estudos, corri atrás de muita coisa.
Fiz a tal prova, primeira fase do vestibular. Era uma prova, de certo modo simples, diante das minhas qualidades. Minhas maiores dificuldades não doíam naquela circunstância. Terminei a prova considerando ter ido aceitavelmente bem. Ligo meu celular, uma vez que, logicamente, não poderia eu utilizar-me dele em sala de aula, e percebo que a jovem me mandara uma mensagem. Poucas mensagens trocávamos até então. Foi-me grande a surpresa. Algumas semanas antes, eu já lhe confidenciara que algumas borboletas começavam a voar em meu estômago. Chegando em casa, ela me revela ter algo importante a me falar. Adoro quando a pessoa, em condições totalmente hábeis para contar uma notícia importante, apenas menciona o fato de a notícia existir, ao invés de logo contar. Adoro mesmo isso, com todas as minhas forças. Bem, ela esperou que eu fizesse algumas coisas, como, por exemplo, contar quantos pontos eu teria feito naquela prova, e começou a me contar. Ela percebeu que começava a retribuir o sentimento que eu tinha por ela. Daí começou, algo como um namoro à distância. Era bonitinho, agradável ao olhar, se alguém estivesse vendo. Era muito amor.
Pouco antes de o namoro começar, eu resolvi lhe contar sobre o mundo. Eu nunca fazia isso, nunca mesmo, ninguém entenderia. Mas eu acreditei nela, me fazia sentido acreditar que ela não me desprezaria por isso. Porque meu medo não é todos ficarem sabendo, mas é ser ridicularizado pela descrença dos outros. Justo. Eu contava com muita alegria, adorava escrever sobre o mundo. Adorava tanto que me motivei a escrever um livro disso. Talvez um dia eu consiga. Talvez. Pois bem, eu percebi que escrever me fazia muito bem. Isso foi ótimo, uma vez que, tendo já feito a prova da primeira fase do vestibular, precisaria eu estudar para a segunda fase, que é um tanto quanto mais complexa. Eu estudava até a exaustão durante o dia e, à noite, escrevia para me acalmar, organizar as ideias, relaxar, algo ótimo. Depois, eu acordava tarde, descansado, e voltava à rotina. Bem, essa garota é o motivo de você ter chegado até aqui nessa leitura. Falo um pouco mais sobre ela.


89. Novas emoções

14/08/2012

Emoções de todos os tipos possíveis. Era um tempo muito estável em meu mundo, no qual eu já me tornara invulnerável a quase todo tipo de ataque e, aos que eu não era, eu dava um jeito de escapar. Meus amigos também eram, além de muito poderosos, muito agradáveis, tornando, assim minha vida incrivelmente mais feliz do que deveria ser. Meu mundo estava bem, nada me fugia ao controle.

Entretanto, fora dali, eu passava por momentos bastante complexos. Era época de vestibular. No ano anterior, eu já teria prestado a bendita prova, sem êxito, logicamente. Eu estava bem tenso, pois buscava vaga em curso muito concorrido, e já era a segunda vez tentando. Fora de meu mundo, já havia terminado o ensino médio, tendo poucos amigos de convivência tão íntima como estava acostumado. Era complicado. Por várias vezes eu ficava à mesa do cursinho, sozinho, rodando uma garrafa de água de um lado para o outro, com a cabeça apoiada sobre uma das mãos. A exata ilustração de um rascunho depressivo de minha vida.

Eu já conhecia a internet, mas foi o momento no qual me aproximei dela, estabelecendo uma linda relação de amor. É até interessante mencionar isso, pois, agora, exatamente agora, no momento em que escrevo cada uma dessas palavras, me vejo sem a possibilidade de me conectar à internet, questões técnicas. É interessante parar para refletir sobre isso. Totalmente inútil, mas interessante. Pronto, interesse acabou. Retomando, através da internet eu acabei por me conectar definitivamente com desenhos, assistindo a séries inteiras, e vídeos, vídeos aleatórios. Bem, não tão aleatórios, mas conteúdos individuais, produzidos com fins específicos.

Algumas pessoas que produziam esses vídeos acabaram tornando-se importantes para mim, ganharam minha admiração. Ao estabelecer um contato mais próximo com um jovem rapaz que fazia, entre outros gêneros, vídeos de covers musicais, me decidi por também fazer um vídeo musical para lhe apresentar meu trabalho. Como se eu realmente fosse um trabalhador, não só um jovem que gostasse de vagabundar com seu violão ao invés de estudar, que era o necessário no momento.

Com isso algumas pessoas resolveram assistir ao vídeo, e eu resolvi lançar mais vídeos. Hoje, os vídeos têm uma qualidade incrivelmente melhor do que aquele primeiro, que lancei na finalidade de fazer um famoso e ver. Mas aquele primeiro foi muito importante. Uma bela jovem decidiu gostar do vídeo, apreciar o talento daquele garoto que fez o vídeo. Decidiu buscar o contato com o garoto que fez o vídeo através de redes sociais na bendita internet.

Os dois começamos a conversar, longos tempos viriam.


88. Reconstrução

03/08/2012

Reconstruindo meu chão, meu templo, meu show. Houve uma batalha intensa contra gigantes, raios destrutivos, explosões. O mínimo que se pode esperar seria a estrutura física de meu mundo completamente destruída. Entretanto, quando retornei até lá, notei que, na verdade, o mundo estava realmente muito destruído. Eu acabara de passar um dos piores dias já vividos em toda existência, depois de uma péssima noite de sono que, ainda que longa, não pôde ser proveitosa, visto que minha alma não conseguia descansar diante de todo sofrimento. Eu acordei várias vezes, morrendo de sono, mas sem conseguir fechar meus olhos. Eu sentia que, agora que meus amigos descansavam eternamente, eu não teria mais o direito de descansar.

Ainda permaneço acreditando que possam me julgar como alguém que dramatiza demais as coisas. De fato sou, mas não nesse caso. Costumo construir enormes dramas a fim de trazer as reais interpretações àquilo que penso ser valoroso. Mas nesse é diferente. Acho muito difícil que seja construído através de palavras a ideia real de quão enorme era a relação que eu tinha com meus amigos. Sabe, não é normal, é mágico. Lembrar das vezes em que eu os salvei e das vezes em que eles me salvaram. Éramos tudo. Tornei-me um cara muito diferente após a despedida deles. Fiquei menos bobo, precisava estar apresentável diante das pessoas desse mundo. Meu mundo próprio deixou de ser uma prioridade, tornou-se um escapismo. Creio que para isso mesmo ele fora criado. Com a convicção de que nunca serei compreendido em minhas palavras, devo informar que não tenho desprezado meu mundo. Apenas passei a me dedicar mais ao mundo em que vivemos, passei a pensar nas coisas daqui. Tanto que hoje eu consegui uma demasiada ascensão na vida, estou finalmente contente com o andar das coisas que controlo aqui. Anteriormente, eu passava o dia todo pensando em quando chegaria a hora de viver o meu mundo, qual seria a luta do dia, o que aconteceria lá. Talvez as frustrações tenham tirado um pouco disso.

Pois bem. Reconstruindo, as pessoas que apareceram por lá me ajudaram a reconstruir aquele mundo. Ajudaram muito. As florestas estavam completamente destruídas. Eu, orientado por eles, retirava todos os troncos caídos. Fazia tudo engolindo o choro, aquela sensação terrível de não sentir mais a barriga, perder totalmente o fôlego. Eu ia tirando, na esperança de que aqueles seres estivessem certos e aquela floresta se reerguesse sozinha rapidamente. Eles se encarregavam de reconstruir a cidade, os prédios, as ruas e as demais regiões que precisavam de reparo. Enquanto isso, eu ia procurando aquele pedaço de mim que até hoje falta. Ia nadando, olhando o céu sem nuvens ou qualquer outra coisa. Não sei o porquê de descrever tanto isso, estou certo de que algo semelhante já tenha ocorrido a quem lê. Só não garanto que a proporção seja a mesma, mas creio que seja algo compreensível.

Meu mundo retornou ao seu estado natural. Reformulamos a região Azul, fazendo com que ela realmente ficasse azulada, trazendo a ela as circunstâncias exatas para que minha música estivesse ali, e eu pudesse ter amigos por alguns momentos. As coisas voltaram, eu descobri meus poderes em sua plenitude, desenvolvi mecanismos para poder tocar aquele mundo sozinho. As coisas melhoraram, encontrei novos amigos fixos àquele mundo. O tempo passou, reconstruí o mundo e um pouco de mim. Acho que agora podemos prosseguir.


87. Reconstituição

02/08/2012

Não havia nada mais o que fazer naquela ilha, nem nas ilhotas, nem em mais nada. Não havia nada. Não havia. Não. Apenas desisti de ficar lá e retornei a minha humilde residência. Sempre digo que o tempo passa rápido, que minhas lutas são rápidas e, por mais que houvesse detalhes que retardavam um pouco a luta, os movimentos eram incrivelmente acelerados. Depois que retornei ao mundo para, enfim, matar os gigantes, creio ter ficado apenas um pouco mais de uma hora naquele lugar. Isso incluindo o tempo em que fiquei vagando em minha depressão por aquele mundo. Mundo que não sei se identifico como este, como esse, como aquele. A utilização dos pronomes estão bastante claras para mim, mas a definição de mundo é que não me é mais tão clara. Creio que seja este mundo, pois ele anda comigo, aonde quer que eu vá.

Quando eu descobri a existência deste mundo, eu notei que era um lugar especial, onde eu poderia fazer minhas próprias determinações. Notei que as determinações não eram completamente minhas, uma vez que eu nunca quis que um monstro aparecesse lá para me tirar a paz. Isto é, era nisso que eu acreditava até pouco tempo. Fui percebendo que eu gostava de haver monstros lá, poder lutar, usar meus poderes de forma violenta contra quem realmente era necessário. Além disso, saber que, com isso, eu estava lutando contra a própria maldade que há em mim. Não me importo mais com a conotação moralista que possa haver nesse tipo de relato, já está definido que é assim, o meu mundo proporcionou isso, por mais que eu tenha totalmente tudo a ver com isso, não fui eu quem planejou essa estrutura. Mas eu venho percebendo que pra mim é interessante poder desenvolver esses meus poderes, ter a oportunidade de lutar. Talvez isso seja um símbolo de minha impotência no mundo em que estamos.

Pois bem, prossigo na ideia central de meu relato que menciona o fato de, bem, eu nunca soube como esse mundo começou a existir e nem o porquê disso. Formulei quinhentas e trinta e oito teorias, várias delas ainda não foram quebradas, mas nunca houve nada que me trouxesse a total certeza para nenhuma delas. A única certeza é a de que não posso estar suficientemente louco para ter tanta sanidade na criação de uma falsa realidade como esta, assim como meu psicológico não pode estar tão conectado com a minha loucura para que, antigamente, eu tivesse resquícios físicos de minhas lutas neste mundo, como sair de uma batalha no meu mundo e, na manhã seguinte, sentir muita dor no joelho no nosso mundo, como já foi relatado. Ou quando minha irmã, sendo esta bem criança, ao saber de meu mundo, sem os devidos detalhes, afirmou-me ter visitado-o, relatando, então, elementos que só se poderia saber tendo estado lá. Acho impossível isso ser apenas uma insanidade mental de minha parte. Não posso estar louco só para isso.

Sou louco por achar que é preciso esperar que tudo dê certo para se obter a felicidade. Posso não estar alegre, mas sou alegre. Essa verdade tem se abalado um pouco nos últimos dias, mas não me engano. Sou um rapaz alegre, ainda nos momentos de tristeza.

Vejamos, saí do mundo após longa caminhada de alguém que estava sem forças. Eu estava no meu quarto, coberto em minha cama, como se passasse todo aquele tempo dormindo. Uma das sensações mais incríveis e desagradáveis que já experimentara foi chorar aquela imensidão no meu mundo e, ao retornar, deparar-me com um rosto seco, sem nenhuma lágrima. Elas queriam continuar a cair, mas mantiveram-se presas por um tempo. Alguns segundos após ter voltado, eu me preparava para dormir quando vejo meu pai abrindo a porta. Ele mencionava o fato de eu já ter dormido o suficiente, colocando para mim uma série de atividades. Eu, em minha vasta experiência, mencionei uma forte dor de cabeça, não que esta não fosse verdadeira, solicitando mais horas de sono. Ele me impediu de prosseguir com meu repouso, e fui enfrentar mais que tarefas domésticas, mas minha própria falta de resistência. Não suportava mais aquela condição.

À noite, meus pais me convocavam para um evento qualquer, mas eu repeti sobre minha forte dor de cabeça, fazendo com que eles finalmente cedessem. Eles saíram, eu fui dormir. Fisicamente, já estaria me reconstituindo. Agora restaria juntar os pedaços de minha alma ao chão.